Ibovespa fecha em leve queda e dólar recua após nova rodada de tarifas comerciais dos EUA

Mercado financeiro opera com cautela diante da escalada de tensões comerciais promovida pelo governo Trump

Ibovespa fecha em leve queda e

O Ibovespa, principal índice acionário da Bolsa de Valores do Brasil, encerrou o pregão desta quinta-feira (03) com uma leve queda de 0,04%, aos 131.140,65 pontos. O dólar comercial, por sua vez, registrou uma expressiva desvalorização de 1,23%, fechando a R$ 5,62, o menor nível desde o início de outubro.

A sessão foi marcada pela repercussão do novo pacote de tarifas anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Batizada de "Dia da Libertação", a medida estabelece sobretaxas recíprocas a produtos importados de países que impõem barreiras comerciais consideradas desproporcionais. No caso do Brasil, a taxacão ficou em 10%, enquanto para nações como o Camboja as tarifas chegam a 49%.

O mercado acionário brasileiro operou de forma lateralizada ao longo do dia, sustentado pelo recuo nos juros futuros e pelo desempenho positivo de bancos tradicionais e varejistas. No cenário internacional, o índice DXY, que mede a força do dólar frente a uma cesta de moedas, caiu 1,55%, fechando a US$ 102,19.

Efeitos das novas tarifas e temor de recessão nos EUA

A decisão de Trump provocou reações imediatas no mercado global. O governo do Canadá, em retaliação, anunciou novas tarifas de 25% sobre todos os automóveis fabricados nos Estados Unidos. A escalada das tensões comerciais gerou preocupações sobre possíveis impactos inflacionários nos EUA, o que pode levar o Federal Reserve (Fed) a reconsiderar o ciclo de política monetária.

"Na minha visão, estamos presenciando uma guerra comercial sem precedentes, com tarifas que não são normalmente praticadas. Os mercados estão bastante instáveis", afirmou Alison Correia, analista de investimentos e cofundador da Dom Investimentos.

Setores altamente dependentes da estabilidade econômica, como o de tecnologia, registraram fortes perdas em Wall Street. As big techs foram as mais impactadas, já que uma possível alta dos juros pode encarecer o custo do crédito, afetando diretamente os investimentos nessas empresas.

Cresce o temor de desaceleração econômica

O aumento das tarifas também levou grandes bancos a revisarem suas projeções econômicas para os Estados Unidos. O Goldman Sachs, por exemplo, elevou a probabilidade de uma recessão no país de 20% para 35%, citando as perturbações causadas pela nova política tarifária.

Apesar das incertezas, o Brasil foi menos impactado do que outros países, segundo analistas. "Se considerarmos apenas a balança comercial, o Brasil dificilmente entraria nessa lista de taxados, exceto pelo setor de aço e alumínio, que já havia sido tarifado anteriormente", completou Correia.

O mercado segue atento aos desdobramentos da guerra comercial e às decisões do Fed, que podem influenciar o rumo dos ativos globais nas próximas semanas.


Fonte: BPMoney


Notícias relacionadas
© INSS: 13º antecipado injetará R$ 73,3 bi na economia; veja calendário

INSS: 13º antecipado injetará R$ 73,3 bi na economia; veja calendário

© Brasil pode se beneficiar de sobretaxas dos EUA, avalia economista

Brasil pode se beneficiar de sobretaxas dos EUA, avalia economista

© Trump anuncia taxa de 10% para produtos brasileiros

Trump anuncia taxa de 10% para produtos brasileiros

© Com R$ 60,78 mi, BNDES apoia plano de inovação da WEG

Com R$ 60,78 mi, BNDES apoia plano de inovação da WEG

Comentários 0
Deixe seu comentário
or

For faster login or register use your social account.

Connect with Facebook