Da Redação
A prévia da inflação oficial brasileira desacelerou em outubro, mas os preços dos alimentos e dos combustíveis continuaram pressionando o orçamento dos consumidores. O etanol subiu 2,73%, enquanto o óleo diesel apresentou alta de 3,70%.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) ficou em 0,32% no mês, menos da metade dos 0,70% registrados em setembro. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (23) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Apesar da desaceleração mensal, o indicador acumula alta de 4,15% em 2026 e de 4,62% nos últimos 12 meses. O resultado anualizado ficou acima do limite superior de 4,5% estabelecido no sistema de metas de inflação. Em setembro, o acumulado em 12 meses estava em 4,47%.
Em outubro de 2025, o IPCA-15 havia registrado alta de 0,18%.
Combustíveis sobem 1,20%
Os combustíveis avançaram 1,20% na prévia de outubro. O óleo diesel apresentou a maior elevação, de 3,70%, seguido pelo etanol, com 2,73%, e pela gasolina, com 0,92%. O gás veicular foi o único a registrar recuo, de 0,18%.
Mesmo com a pressão dos combustíveis, o grupo Transportes teve alta de apenas 0,05%. O resultado foi limitado principalmente pela queda de 9,24% nas passagens aéreas, que exerceram o maior impacto negativo individual sobre o índice do mês.
Para o agronegócio, a elevação do diesel merece atenção por sua influência sobre o transporte de insumos, produtos agrícolas e cargas destinadas aos portos. Já a alta do etanol mostra o comportamento do combustível no mercado consumidor durante o período analisado pelo IBGE.
Alimentação concentra a maior pressão
O grupo Alimentação e bebidas subiu 0,88% e provocou impacto de 0,19 ponto percentual no IPCA-15, a maior contribuição entre os grupos pesquisados.
A alimentação no domicílio acelerou de 0,38% em setembro para 1,01% em outubro. O tomate foi o produto que mais pressionou a inflação, com alta de 24,54%.
Também foram registradas elevações expressivas nos preços da cebola, de 13,63%; da batata-inglesa, de 10,96%; e do arroz, de 5,80%.
Em sentido contrário, ficaram mais baratos a cenoura, com queda de 10,67%; as frutas, com recuo de 1,37%; e o café moído, que apresentou redução de 1,16%.
A alta dos preços no varejo, entretanto, não significa necessariamente aumento equivalente da renda recebida pelo produtor. Entre a produção no campo e a venda ao consumidor existem custos de transporte, armazenamento, distribuição e comercialização que também influenciam os preços.
Conta de luz ajuda a conter o índice
A Habitação foi o único grupo pesquisado pelo IBGE que apresentou queda em outubro, com retração de 0,10%.
A energia elétrica residencial recuou 0,89%, após a bandeira tarifária passar da amarela para a verde, sem cobrança adicional nas contas dos consumidores.
Em setembro, a energia elétrica havia subido 7,42% e exercido a principal pressão sobre o IPCA-15. Naquele mês, as tarifas voltaram ao patamar normal depois do encerramento do desconto relacionado ao bônus de Itaipu.
Além de Alimentação e bebidas, outros sete grupos registraram alta em outubro: Despesas pessoais avançaram 0,55%; Vestuário, 0,53%; Comunicação, 0,43%; Artigos de residência, 0,28%; Saúde e cuidados pessoais, 0,15%; Educação, 0,09%; e Transportes, 0,05%.
Inflação ainda exige atenção
O resultado de outubro veio abaixo das estimativas do mercado. Levantamento divulgado pelo Ministério da Fazenda apontava mediana de 0,45% para o IPCA-15, dentro de um intervalo de projeções entre 0,33% e 0,60%.
A desaceleração mensal representa um alívio em relação a setembro, mas não significa uma queda generalizada dos preços. Oito dos nove grupos pesquisados registraram aumento, enquanto o acumulado em 12 meses voltou a superar o teto da meta.
O IPCA-15 utiliza metodologia semelhante à do IPCA, considerado a inflação oficial do país. A principal diferença está no período de coleta e na abrangência geográfica.
Para o resultado de outubro, os preços foram coletados entre 16 de setembro e 14 de outubro. A pesquisa considera o consumo de famílias com renda entre um e 40 salários mínimos em 11 áreas do país.
O IPCA completo de outubro será divulgado pelo IBGE no dia 12 de novembro.











