B16 pode elevar demanda de biodiesel a 11,2 bilhões de litros em 2027

Avanço da mistura obrigatória estimularia o processamento de soja e o consumo de óleo vegetal, mas ainda depende de testes técnicos e decisão do gover

B16 pode elevar demanda de bio

Da Redação

A demanda brasileira por biodiesel poderá alcançar 11,23 bilhões de litros em 2027 caso o percentual obrigatório do biocombustível misturado ao diesel passe dos atuais 15% para 16% em março do próximo ano. A projeção é da consultoria StoneX e considera a possível implantação do chamado B16.

Se a mistura permanecer em 15%, as vendas devem ficar próximas de 10,44 bilhões de litros. Dessa forma, o B16 poderia acrescentar aproximadamente 790 milhões de litros ao mercado brasileiro de biodiesel durante o ano. Na comparação com a estimativa de 10,31 bilhões de litros para 2026, o crescimento chegaria a cerca de 9%.

O avanço representaria mais uma etapa na expansão do Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel. Atualmente, todo o diesel comercializado no país deve conter 15% de biodiesel, percentual que entrou em vigor em 1º de agosto de 2025 por decisão do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).

Mais demanda para a cadeia da soja

A elevação da mistura obrigatória também deve ampliar a procura por óleo de soja, principal matéria-prima utilizada na produção brasileira de biodiesel.

As projeções mais recentes da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) apontam que o processamento de soja poderá alcançar o recorde de 66 milhões de toneladas em 2027, crescimento de 3,8% sobre o volume estimado para 2026. A entidade considera em seus cálculos a possibilidade de implantação do B16 em março.

A produção brasileira de óleo de soja está projetada em 13,27 milhões de toneladas, alta de 3,7%. Desse total, aproximadamente 7,8 milhões de toneladas poderão ser destinadas à fabricação de biodiesel.

O aumento do esmagamento também elevaria a oferta de farelo, utilizado principalmente na alimentação de aves, suínos e bovinos. A Abiove estima uma produção de 50,8 milhões de toneladas de farelo em 2027, com exportações de 26,3 milhões de toneladas.

Esse movimento mostra que a ampliação do biodiesel produz reflexos além do mercado de combustíveis. Ao estimular o processamento da soja dentro do país, a medida também aumenta a disponibilidade de proteína vegetal para a pecuária e agrega valor à produção agrícola.

Exportação de óleo pode perder espaço

Com uma parcela maior da produção destinada ao mercado doméstico, as exportações brasileiras de óleo de soja podem recuar 2,6% em 2027, para aproximadamente 1,9 milhão de toneladas.

A Abiove também prevê ligeira redução nos embarques de soja em grãos, estimados em 113 milhões de toneladas, queda de 0,8%. Mesmo assim, a receita das exportações do complexo soja — formado por grão, farelo e óleo — poderá atingir o recorde de US$ 69,3 bilhões, diante de uma estimativa de US$ 60,3 bilhões para 2026.

B16 ainda não está aprovado

Apesar das projeções do mercado, a entrada do B16 ainda não foi oficialmente confirmada. O governo autorizou a realização de testes técnicos para avaliar percentuais superiores ao B15, com análises que poderão chegar gradualmente até o B25.

A portaria do Ministério de Minas e Energia deixa claro que a aprovação do plano de testes não representa reconhecimento prévio da viabilidade técnica das novas misturas nem altera automaticamente o cronograma do percentual obrigatório.

Os primeiros ensaios devem avaliar misturas superiores ao B15 até o B20. Uma segunda etapa poderá analisar percentuais acima de 20% e até 25%. O Ministério de Minas e Energia deverá publicar um cronograma atualizado dos trabalhos, enquanto qualquer mudança na mistura dependerá dos resultados técnicos, de análise regulatória e de uma nova decisão do CNPE.

Portanto, os 11,23 bilhões de litros representam um cenário condicionado à aprovação do B16 e à sua entrada em vigor a partir de março de 2027, conforme considerado pela StoneX.

Caso seja confirmado, o novo percentual abrirá espaço para o crescimento da indústria de biodiesel, aumentará a demanda interna por óleo de soja e poderá aproveitar parte da capacidade disponível nas unidades produtoras. Até lá, o setor acompanha o andamento dos testes e aguarda maior definição sobre o calendário regulatório.

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