Da Redação
A produção de etanol nas regiões Norte e Nordeste caiu 7,5% no início da safra 2026/27, enquanto os estoques do combustível produzido a partir da cana recuaram 24,73%. O movimento ocorre mesmo com a moagem praticamente estável em relação ao ciclo anterior e reforça a atenção sobre a disponibilidade regional do biocombustível nos próximos meses.
Até 15 de setembro, as usinas das duas regiões processaram 9,943 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, crescimento de apenas 0,1% na comparação com o mesmo período da temporada passada. O volume representa 16,7% das quase 60 milhões de toneladas previstas para a atual safra.
Os números fazem parte do acompanhamento realizado pela Associação de Produtores de Açúcar, Etanol e Bioenergia (NovaBio), com base em dados fornecidos pelo Ministério da Agricultura e Pecuária. A entidade representa 35 unidades produtoras distribuídas por 11 estados do Norte e Nordeste.
Nordeste aumenta moagem
O desempenho apresentou diferenças entre as duas regiões. No Norte, a moagem alcançou 4 milhões de toneladas, queda de 3,6% em relação ao mesmo período do ciclo passado.
No Nordeste, por outro lado, foram processadas 5,8 milhões de toneladas, avanço de 2,9%. Apesar do crescimento, a região havia realizado somente 11,3% da moagem projetada para toda a temporada até a data considerada pelo levantamento.
Do total de cana processado nas duas regiões, 50,49% foram direcionados à fabricação de etanol, indicando um começo de safra com perfil mais alcooleiro.
Produção dos dois tipos de etanol recua
A produção total de etanol chegou a 544 mil metros cúbicos até 15 de setembro, redução de 7,5% na comparação anual.
O etanol anidro, misturado à gasolina, somou 231,5 mil metros cúbicos, queda de 7,6%. A fabricação de etanol hidratado, comercializado diretamente nos postos, alcançou 312,4 mil metros cúbicos, recuo de 7,5%.
Um dos fatores que ajuda a explicar a diferença entre a estabilidade da moagem e a retração na produção foi a redução da qualidade industrial da matéria-prima.
O volume de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR), indicador utilizado para medir o potencial da cana para a fabricação de açúcar e etanol, caiu 5,1% no acumulado. Considerando o ATR por tonelada de cana, a redução foi de 5,3%.
Com menos açúcar disponível na matéria-prima, as usinas obtêm menor quantidade de produtos finais mesmo quando o volume processado permanece próximo ao registrado no ciclo anterior.
Estoques de etanol diminuem
Outro dado que chama atenção é a redução dos estoques. As unidades das duas regiões armazenavam 189 mil metros cúbicos de etanol de cana em 15 de setembro, volume 24,73% inferior ao apurado um ano antes.
O estoque de etanol de milho ficou em aproximadamente 4 mil metros cúbicos, crescimento de 155,62%. Apesar do avanço percentual, o volume ainda representa uma parcela pequena da disponibilidade regional.
Somadas as duas matérias-primas, os estoques de etanol chegaram a 193 mil metros cúbicos.
A redução não significa, isoladamente, que exista risco de desabastecimento. Entretanto, deixa o mercado regional mais sensível a eventuais problemas climáticos, atrasos na moagem ou dificuldades operacionais durante o restante da safra.
Açúcar apresenta crescimento
Em sentido contrário ao etanol, a produção de açúcar aumentou 3,3% e alcançou 294 mil toneladas no acumulado até 15 de setembro.
O setor também enfrenta um cenário comercial mais restritivo no mercado norte-americano. Os Estados Unidos reduziram em 56 mil toneladas a cota brasileira de açúcar bruto com acesso em condições tarifárias mais favoráveis. Com o corte, o volume destinado ao Brasil caiu para 100 mil toneladas.
A medida afeta especialmente o Nordeste, que possui prioridade no preenchimento da cota brasileira para o mercado dos Estados Unidos.
O avanço da safra durante os próximos meses será decisivo para mostrar se as usinas conseguirão recuperar a produção de etanol e recompor os estoques. Além do ritmo da moagem, o setor acompanhará a evolução do ATR, as condições climáticas e o comportamento da demanda regional pelo combustível.












