Mosaic alerta para risco de escassez de fertilizantes fosfatados a partir de setembro

Executiva da companhia disse à CNN Brasil que estoques podem se esgotar no fim de agosto; restrição na oferta elevaria preocupação com custos e planej

Mosaic alerta para risco de es

Da Redação

O mercado brasileiro de fertilizantes entrou em estado de atenção diante do risco de redução da oferta de produtos fosfatados a partir de setembro. O alerta foi feito pela Mosaic, uma das maiores produtoras mundiais de nutrientes agrícolas, em entrevista exclusiva concedida à CNN Brasil.

Segundo Jenny Wang, vice-presidente executiva da companhia, o Brasil conseguiu retardar os efeitos da escassez internacional porque importou volumes elevados de fertilizantes fosfatados no início do ano, antes do agravamento dos conflitos no Oriente Médio.

Esses estoques, no entanto, estariam próximos do fim. A executiva estima que os volumes disponíveis possam se esgotar ao término de agosto, aumentando a possibilidade de uma restrição no abastecimento nos meses seguintes.

A previsão representa a avaliação da Mosaic e não uma confirmação oficial de que haverá falta generalizada do insumo em todas as regiões brasileiras. A situação de cada produtor também dependerá dos estoques já contratados, do calendário de aplicação e da disponibilidade junto a distribuidores e cooperativas.

Aplicação pode cair até 30%

De acordo com as informações publicadas pela CNN Brasil, a Mosaic estima que a aplicação de fertilizantes fosfatados no país poderá diminuir até 30% caso os conflitos internacionais continuem e os fluxos comerciais não sejam normalizados.

Essa projeção está condicionada à duração das dificuldades de fornecimento. Portanto, não significa que a redução de 30% já esteja confirmada.

A companhia também prevê diminuir gradualmente a produção na maior parte de suas unidades brasileiras depois do fim dos estoques atuais. A exceção seria uma fábrica dedicada à produção de fosfatos utilizados na nutrição animal.

Enxofre limita produção de fosfatados

Um dos principais pontos de pressão é a disponibilidade de enxofre, matéria-prima utilizada na fabricação de fertilizantes fosfatados.

A própria Mosaic já havia comunicado oficialmente dificuldades relacionadas ao insumo. Em janeiro, a companhia prorrogou a paralisação da produção de superfosfato simples nas unidades de Fospar e Araxá, citando a forte elevação dos preços do enxofre.

Em julho, a empresa voltou a reduzir temporariamente parte de suas operações de fosfatados no Brasil diante das restrições globais de oferta.

Em comunicado sobre o mercado internacional, a Mosaic afirmou que os conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio diminuíram a disponibilidade de enxofre e elevaram significativamente o custo da matéria-prima. O cenário também afeta os preços da amônia, outro componente importante na fabricação de determinados fertilizantes.

Impacto para a cana-de-açúcar

Para o setor sucroenergético, uma eventual redução na disponibilidade de fosfatados pode afetar principalmente o planejamento do plantio e da renovação dos canaviais.

O fósforo exerce papel importante no desenvolvimento das raízes e no perfilhamento da cana-de-açúcar. Por isso, a adubação fosfatada costuma receber atenção especial na implantação do canavial, conforme as características do solo e a recomendação técnica para cada área.

A restrição de oferta não significa necessariamente uma queda imediata da produtividade. O impacto dependerá da fertilidade do solo, do estoque de nutrientes existente, do manejo adotado e da capacidade de produtores e usinas anteciparem suas compras.

Mesmo quando não ocorre falta física do produto, uma oferta mais limitada pode provocar aumento dos preços e elevar os custos de formação dos canaviais. O efeito tende a ser mais sensível para produtores que ainda não contrataram os fertilizantes necessários para os próximos ciclos.

Brasil depende do mercado internacional

O Brasil figura entre os maiores consumidores mundiais de fertilizantes e importa uma parcela significativa de suas necessidades. Essa dependência deixa o país mais exposto a conflitos geopolíticos, problemas logísticos, restrições comerciais e oscilações cambiais.

No caso dos fosfatados, a oferta internacional também está concentrada em poucos países produtores. Interrupções nas cadeias de matérias-primas ou nas rotas de transporte podem repercutir rapidamente sobre preços e disponibilidade.

Por enquanto, a informação mais segura é que a Mosaic identifica risco de escassez a partir de setembro. A confirmação de um desabastecimento nacional dependerá da evolução dos conflitos, da recomposição das importações, dos estoques mantidos pelo mercado e do comportamento da produção brasileira.

Diante desse cenário, produtores, cooperativas e usinas devem acompanhar a disponibilidade regional dos produtos e avaliar o planejamento das compras com apoio técnico, evitando decisões precipitadas ou aplicações abaixo das recomendações agronômicas.

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