Agosto de 2025 – O setor do agronegócio sofreu com 19.265 denúncias de segurança no primeiro semestre deste ano. É o que revela um levantamento da ISH Tecnologia, principal empresa nacional de cibersegurança – incidentes desses, 98% foram considerados especificamente reais, e 16,85% de alta severidade.
O mês com maior número de revelações foi abril, com 3.124. Além disso, as regiões mais afetadas foram Sudeste, Centro-Oeste e Sul. Abaixo, o número total de ocorrências registradas pela ISH:
“Com o uso cada vez maior de tecnologias conectadas, o agronegócio passou a depender de sistemas digitais para monitorar safras, controlar operações prospectivas, prever condições climáticas e até negociar commodities. Essa conectividade, embora benéfica, expõe produtores a ataques cibernéticos como ransomware, invasões de sistemas e roubo de dados. Um ataque bem sucedido pode paralisar inteiras, afetando a produção e gerar prejuízos milionários”, explica Renan Pedroso, Gerente de Ciberdefesa da ISH.
O material da ISH destaca também que muitos produtores rurais ainda não têm uma cultura de cibersegurança consolidada. Senhas fracas, ausência de backups, softwares desatualizados e redes sem proteção são comuns em propriedades rurais, o que torna o setor um alvo fácil para hackers, que muitas vezes exploram falhas simples para obter acesso a informações sensíveis ou comprometer sistemas operacionais.
Pedroso explica também que dados mais estratégicos, como previsão de safra, preços futuros e a logística das operações podem ser adquiridos ou manipulados por infrações, gerando instabilidade no mercado e até mesmo prejuízos à competitividade nacional.
Setor visado
Segundo dados recentes do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) em parceria com a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), o agronegócio representa aproximadamente 29,4% do PIB brasileiro em 2025, um aumento em relação aos 23,5% registrados em 2024. Esse número reforça ainda mais a importância estratégica do setor para a economia nacional e, por consequência, o potencial de impacto de ataques cibernéticos. “Quando quase um terço do PIB depende de operações agrícolas e pecuárias, garantir a segurança digital dessas atividades deixa de ser uma questão técnica e passa a ser uma prioridade econômica e nacional”, afirma Pedroso.
Além disso, outros dados da ISH revelam que o agronegócio foi o 8° setor mais visto pelos criminosos em 2024, acima de outros mais “tradicionais” como educação e logística, o que consolida sua posição como um dos “novos preferidos” dos criminosos, especialmente levando em consideração a baixa maturidade de muitas empresas.
Vetores de ataque e prevenção
O levantamento da ISH também traz quais foram as cinco principais táticas utilizadas por violências nas evidentes:
01-Acesso inicial: como o invasor entra no ambiente (spear phishing, exploração de serviços publicados na internet)
02-Execução: como o código malicioso é resolvido (scripts, PowerShell, agendadores)
03-Acesso a credenciais: como o terrorista consegue as credenciais (força brutal, phishing de credenciais, keylogging)
04-Persistência: como o invasor mantém acesso ao sistema mesmo após reinicializações ou mudanças (criação de contas, serviços no boot)
05-Comando e Controle (C2): como o atacante se comunica com a máquina comprometida (HTTP, DNS, servidores de aplicação, canais criptografados).
Por fim, Pedroso fala sobre a urgência da necessidade de investimentos em cibersegurança no campo: “as medidas incluem capacitação dos colaboradores, uso de proteção e firewalls, atualização constante dos sistemas, autenticação em dois fatores e consultoria especializada.








