Usinas mantêm produção de etanol em alta, apesar da valorização do milho

 

 

Apesar da alta do preço do milho no mercado interno nos últimos dois anos, as usinas que utilizam o cereal para fazer etanol ampliaram a produção do combustível e fizeram novos investimentos.

 

 

Na safra encerrada em março, a produção foi de 2,7 bilhões de litros. Nesta, que teve início em abril, e que terminará em março do próximo ano, a produção deverá subir para 3,38 bilhões de litros.

 

 

Esse aumento vem de duas grandes ampliações e de uma nova operadora no mercado. Agora já são 19 usinas de etanol de milho em operação no país, 12 delas em Mato Grosso.

 

 

Colheita de milho no município de Mateiros, região do Jalapão (TO) – Lalo de Almeida – 12.mai.2015/Folhapress

 

 

As informações são de Guilherme Nolasco, presidente-executivo da Unem (União Nacional do Etanol de Milho). Segundo ele, o setor está otimista e projeta produção de pelo menos 8 bilhões de litros de etanol proveniente de milho em 2028, 20% da demanda nacional do combustível.

 

 

Nolasco diz que os fundamentos do mercado permitem esse avanço. Mesmo com a mudança interna no preço do milho, as usinas estão trabalhando com média nacional de 86% da capacidade instalada. Em alguns casos, esse patamar supera os 90%.

 

 

As empresas trabalham com compras antecipadas do cereal e com armazenamento. Portanto, elas não estão pagando os preços praticados atualmente pelo mercado físico.

 

 

Mas o setor se beneficia dessa alta de preços do milho. O DGG, produto que contém proteína e é um derivado do processamento do milho, segue os preços de mercado.

 

 

A indústria de etanol tem a seu favor, ainda, o ganho de eficiência que vem obtendo nos anos recentes. Em 2015, uma tonelada de milho rendia 360 litros de etanol. Hoje, são 435 litros, 21% a mais.

 

 

O setor se beneficia também da elevação dos preços do etanol, após uma valorização do petróleo e uma recuperação dos preços do açúcar no mercado internacional.

 

 

Uma outra vantagem, segundo Nolasco, é que a produção, por ser sustentável, facilita o recebimento de investimentos voltados para esse setor.

 

 

O presidente da Unem destaca a importância da complementação do etanol de milho para o setor de combustível. No período da entressafra do setor de cana, a partir de dezembro, as usinas de milho conseguem colocar de 1 bilhão a 1,2 bilhão de litros no mercado, eliminando a volatilidade acentuada dos preços.

 

 

Nesta safra, serão utilizados 8 milhões de toneladas de milho para a produção de etanol.

 

 

UDOP

Fonte: Folha de S. Paulo