Brasil precisa treinar 3.737 trabalhadores até 2025 para dar suporte ao crescimento do setor eólico, indica estudo

 

 

GWEC cita país como bom exemplo em análise sobre gargalos globais de mão de obra para energia do vento

Um novo relatório divulgado ontem conclui que a indústria eólica precisará treinar mais de 480 mil pessoas nos próximos cinco anos para atender à demanda do mercado global. Somente no Brasil, 3.737 profissionais precisarão passar por treinamento para sustentar a instalação programada de 9,7 GW adicionais de eólica em terra até 2025. O estudo foi conduzido pelo Conselho Global de Energia Eólica (GWEC) e pela Organização Eólica Global (GWO) em parceria com o Renewables Consulting Group (RCG).

Segundo a GWEC, essa tarefa não deve ser um problema para o país, que além de liderar o crescimento da energia do vento na América Latina, está na dianteira nas Américas em crescimento de novos centros de treinamento certificados e também no volume de trabalhadores sendo treinados. Em 2020, esse mercado cresceu 101% e 13 prestadores de treinamento certificados formaram uma força de trabalho de mais de 5.500 pessoas, segundo o documento. “Isto representa uma das histórias de sucesso dos padrões da GWO que se estabelecem nos mercados eólicos emergentes”, diz o estudo.

O relatório chama a atenção também para o nascimento do mercado eólico offshore no Brasil, que pode ter seu primeiro projeto de demonstração ainda na primeira metade desta década, com a efetiva entrada no mercado esperada para 2027. Os cálculos do estudo não levam em conta uma demanda de treinamento nessa modalidade.

O treinamento padronizado global é fundamental para garantir a saúde e a segurança da força de trabalho e salvaguardar a sustentabilidade da indústria eólica e a licença para operar na transição energética. Essa qualificação é essencial nos segmentos de construção, instalação, operação e manutenção da cadeia de valor da energia eólica, que representam apenas uma fração dos postos de trabalho desta indústria. Não estão incluídos nessa conta empregos gerados em aquisições, fabricação (o segmento mais intensivo em mão de obra) e transporte, por exemplo.

Atualmente, o mercado de treinamento da GWO, considerado o padrão global para treinamento da força de trabalho eólica, tem a capacidade de suportar a qualificação de 200 mil trabalhadores até o final de 2022. O relatório conclui que esse ritmo de treinamento pode não ser suficiente para formar outros 280 mil trabalhadores necessários para instalar os 490 GW previstos de nova capacidade de energia eólica que entrará em funcionamento nos próximos cinco anos.

Dos 480 mil GWO de trabalhadores treinados necessários em todo o mundo, 308.000 serão empregados para construir e manter projetos eólicos em terra e 172.000 são necessários para a energia eólica offshore.

Mais ambição, mais trabalho

Mais de 70% da nova demanda global de treinamento de mão-de-obra virá dos 10 mercados analisados no relatório: Brasil, China, Japão, Índia, México, Marrocos, Arábia Saudita, África do Sul, Estados Unidos e Vietnã. Os mercados avaliados foram selecionados pela diversidade regional e por serem os maiores mercados eólicos onshore do mundo, mercados de alto crescimento para vento onshore e offshore ou mercados eólicos emergentes.

Para Ben Backwell, CEO da GWEC, os países precisam se preparar agora para garantir a força de trabalho do futuro. “Se a ambição for ampliada até o que precisa ser – três ou quatro vezes as previsões atuais do mercado – as necessidades de treinamento da força de trabalho serão muito maiores do que as encontradas neste relatório.”

“Fala-se muito sobre quantos GW’s de energia eólica precisaremos para alcançar o zero líquido, mas não há muita discussão sobre a força de trabalho que precisaremos para realizar essas ambições”, diz Jakob Lau Holst, CEO da GWO. “Ter padrões de treinamento de segurança GWO é uma das formas mais eficientes de garantir que nossa força de trabalho permaneça segura e que tenhamos as pessoas de que precisamos para acelerar a transição energética global”.

“Fomos capazes de modelar com precisão a demanda futura de pessoal treinado pela GWO durante os próximos cinco anos – um período crítico no caminho para o zero líquido. O modelo e as previsões apresentadas serão regularmente refinadas à medida que mais dados se tornarem disponíveis e que o ritmo de crescimento da capacidade se acelerar”, explica Ed Maxwell, diretor do Renewables Consulting Group.

Segundo Maxwell, em mercados grandes como a China e os EUA, o aumento da capacidade de treinamento pode proporcionar novas oportunidades de trabalho e aumentar a produtividade através do reconhecimento dos padrões da GWO. “As economias emergentes precisarão desenvolver suas redes de segurança e treinamento técnico desde o início para assegurar o alinhamento com os sistemas de segurança globais e garantir a sustentabilidade da indústria a longo prazo”, alerta.

Para o especialista, há um potencial significativo inexplorado para a cadeia de fornecimento de treinamento e educação industrial em países de todo o mundo. “Organizações do setor com capacidade de oferecer o treinamento adicional necessário podem desenvolver programas GWO agora para atender a esta demanda futura”.
Foto Divulgacao EDPR