Campo Grande:

Com a indústria sucroenergético sendo o foco principal da 5ª e última rodada dos “Encontros Setoriais da Indústria – Compromisso com o Desenvolvimento”, realizada na noite desta segunda-feira (20/03), no Edifício Casa da Indústria, em Campo Grande (MS), pela Biosul (Associação dos Produtores de Bioenergia de Mato Grosso do Sul), as equipes das unidades sucronenergéticas da Odebrechet no Estado marcaram presença ao evento.
 
O segmento representa a maior massa salarial da indústria de Mato Grosso do Sul e foi responsável por um aumento de 30% no PIB (Produto Interno Bruto) em três anos. Mesmo assim, foi o único segmento industrial a sofrer cortes na política de incentivos fiscais, medida que impactou as operações com etanol dentro do Estado.
 
Para o presidente da Biosul, Roberto Hollanda, que apresentou um panorama das atividades do segmento sucroenergético no Estado com ênfase nos reflexos positivos causados nas regiões onde existem plantas industriais instaladas, o importante é manter-se firme e acesa a consciência de que se vive um momento de crise muito sério.
 
“Para que a gente continue convertendo o nosso potencial em realidade, em desenvolvimento, emprego e renda, precisamos de alguns fatores. O segmento precisa fazer o seu dever de casa, precisamos de um cenário positivo por parte dos governos estadual e federal. Precisamos ter previsibilidade, precisamos ter a intenção de crescer e precisamos trabalhar para sermos cada vez mais competitivos”, alertou Roberto Hollanda.
 
Já o presidente do Conselho Deliberativo da Biosul, Amauri Pekelman, citou alguns gargalos enfrentados pelo segmento nos últimos anos. “O segmento sucroenergético, de 2008 para cá, vem sofrendo com políticas públicas equivocadas que nos prejudicaram consideravelmente. Principalmente as políticas voltadas ao preço dos combustíveis. O setor deixou de crescer aqui no Estado e no País todo e agora começa a respirar novamente. Mas dependemos de políticas públicas diferenciadas para voltar a crescer”, frisou.
 
Repercussão
 
O presidente da Fiems, Sérgio Longen, foi enfático ao classificar como inadmissível a criação de novos impostos e a ingerência do Governo Federal na esfera administrativa estadual. “Com esses encontros, nós nos posicionamos perante ao Governo do Estado e perante à Assembleia Legislativa, levando ao conhecimento de todos o que a indústria representa na economia local e de que forma sofreríamos o impacto caso o governo venha, de uma forma linear, construir novos impostos em cima dos setores responsáveis pelo desenvolvimento do nosso Estado”, disse.
 
Segundo Longen, a sociedade também rejeita esse tipo de ação. “O que estamos fazendo aqui hoje é uma agenda muito clara de defesa de interesse da bandeira de industrialização de Mato Grosso do Sul. A minha proposta muito clara: que encontremos o equilíbrio, que tenhamos condição de avaliar o setor. Que não percamos ainda mais competitividade”, frisou.
 
Representando o Governo do Estado na 5ª rodada dos Encontros Setoriais da Indústria, o secretário estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar, Jaime Verruck, ressaltou a importância ímpar do segmento sucroenergético em Mato Grosso do Sul e destacou o espaço existente para evoluções no quesito ambiental. “O Governo precisa evoluir, nós precisamos estabelecer novas relações com essa indústria na questão ambiental. Muito nos alivia perceber que o segmento apresenta sinais de retomada, pelo menos uma planta que estava fechada no Estado vai retomar as atividades e outras ainda podem retornar”, avaliou.
 
O presidente da Comissão de Indústria, Comércio e Turismo da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, deputado estadual Paulo Corrêa, colocou-se à disposição para a discussão e votação de pautas referentes à indústria estadual. “Me comprometo a fazer essa interlocução entre Federação das Indústrias e Assembleia Legislativa, para que mais pessoas conheçam a importância do setor e entendam a necessidade de políticas públicas voltadas a determinados segmentos industriais”, pontuou.