Trabalhos da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de SP garantem segurança das lavouras brasileiras.

2020 foi escolhido como Ano Internacional da Fitossanidade; Institutos são fundamentais para evitar que pragas e doenças exóticas entrem no país

 

 

Garantir a saúde das plantas é fundamental para a produção de alimentos e para o desenvolvimento de uma agricultura sustentável. Devido à relevância da fitossanidade para a agricultura e para toda a sociedade, a Assembleia Geral das Nações Unidas escolheu 2020 como o Ano Internacional da Fitossanidade, área da agronomia que trata da saúde das plantas. A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, por meio de seus Institutos de Pesquisa, exerce papel fundamental nessa área. Trabalhos do Instituto Biológico (IB-APTA) e do Instituto Agronômico (IAC-APTA), por exemplo, atuam para evitar que plantas importadas para consumo e experimentações científicas introduzam doenças e pragas inexistentes na agricultura brasileira, garantindo a segurança das lavouras do país.

 

 

O IB mantém em São Paulo e em Campinas laboratórios de referência em fitossanidade que fazem, anualmente, mais de 1.100 análises relacionadas a pragas e doenças em materiais vegetais para consumo no Brasil. Cerca de 10% dessas análises são oficiais, ou seja, realizadas a pedido do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). O restante dos diagnósticos é desenvolvido para produtores rurais, empresas exportadoras e até mesmo a população urbana, que tem algum plantio em seu quintal.

 

 

Em Campinas também está o Quarentenário do IAC, o único público no estado de São Paulo que recebe todas as espécies de plantas. Com localização privilegiada, por estar próxima ao Aeroporto Internacional de Viracopos, a unidade tem permissão do MAPA para receber as espécies de materiais vegetais que chegam ao Brasil vindos de outros países para pesquisa científica.

 

 

Até julho de 2020, o Quarentenário IAC recebeu 71 quarentenas, totalizando 10.300 unidades, tudo proveniente de empresas que importaram materiais para usos em suas pesquisas. As espécies que entraram em quarentena e chegaram de janeiro a 31 de julho deste ano são de soja, milho, tomate, melão, videira, couve-flor, arroz, eucalipto, pêssego, macadâmia, coroa de cristo, algodão, melancia, braquiária, azevém, sálvia, calibrachoa e petúnia. Esses materiais são provenientes dos Estados Unidos, Chile, China, Argentina, Tailândia, Holanda, França, Austrália, Nova Zelândia, Itália e Porto Rico.

O total de 71 quarentenas é 20% menor do que o registrado em 2019. A queda é resultado da pandemia da Covid-19, que afetou as atividades das empresas. Segundo a diretora do Centro de Fitossanidade e responsável técnica substituta do Quarentenário IAC, Roberta Pierry Uzzo, o conceito mundial adotado atualmente é trabalhar com saúde, seja das pessoas, seja das plantas. “Entende-se que uma vez que conseguimos controlar a saúde das plantas, nós conseguimos melhorar também a saúde das pessoas”, diz.

Análises laboratoriais para que alimentos importados não tragam novas pragas e doenças ao Brasil

De acordo com a pesquisadora do IB, Silvia Galleti, as análises oficiais realizadas pelo IB são fundamentais para impedir a entrada de novas pragas e doenças que não existem no Brasil, preservando a segurança fitossanitária nacional. “Quando algum produto de origem vegetal chega aos portos brasileiros, o MAPA verifica se no carregamento existe alguma praga ou doença. Caso algum organismo seja verificado, os fiscais do Ministério encaminham amostra aos laboratórios oficiais, entre eles do IB, para analisar se aquela praga ou doença existe no Brasil. Isso é feito para impedir que pragas exóticas sejam introduzidas no país e causem prejuízos nas nossas plantações”, explica.

 

 

Com isso, segundo Silvia, o IB exerce um papel fundamental na defesa da sanidade agrícola e na economia do país, pois o diagnóstico fitossanitário em materiais importados previne tanto a difusão de pragas exóticas, evitando a entrada de pragas quarentenárias, quanto o investimento de milhões de dólares para conter ou erradicar esses organismos.

 

 

Assim que recebem as amostras, os pesquisadores e técnicos do IB realizam as análises de forma precisa e rápida. Algumas análises são liberadas em no máximo três dias. “Se o diagnóstico mostrar que não há praga ou doença exótica no carregamento, os produtos podem entrar no nosso território. Caso contrário, em função da doença diagnosticada, a carga retorna ao país de origem ou é destruída e, dependendo da praga identificada, pode também sofrer fumigação, conforme determinação do MAPA”, conta Silvia.

 

 

Segundo a pesquisadora, o trabalho requer muita responsabilidade de todos os envolvidos, tanto relacionado ao critério de avaliação, quanto ao tempo de análise dos materiais. “Enquanto os resultados não são liberados, esse carregamento fica retido no porto, por exemplo. Há todo um custo de aluguel de espaço e contêiner envolvidos, por isso, a importância de realizarmos esses exames de forma rápida e precisa”, afirma.

 

 

O IB possui os únicos laboratórios do estado de São Paulo credenciados no MAPA e acreditado na norma internacional ISO 17025, relacionada à qualidade em laboratório de ensaio, para análise fitossanitária que atende diferentes culturas agrícolas. Além da qualidade, os laboratórios do IB são estratégicos por serem localizados na Capital paulista, a cerca de 80 km do Porto de Santos, principal porto brasileiro e maior complexo portuário da América Latina.

 

 

Além das análises dos materiais importados, o IB realiza diagnósticos e emite laudos para os agricultores e empresas exportadoras de produtos vegetais. Segundo Silvia, o IB verifica se no carregamento a ser exportado existe alguma praga ou doença que é proibida no país importador. “Dependendo do país de destino, sem esse laudo não é possível realizar a exportação desses produtos”, explica.

 

 

Fitossanidade está relacionada aos objetivos sustentáveis da ONU

 

 

2020 foi proclamado pela Assembleia Geral das Nações Unidas como o Ano Internacional da Fitossanidade. A decisão conjunta da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) e do Secretariado do International Plant Protection Convention (IPCC) visa reforçar e encorajar governos e sociedade civil a trabalharem de forma integrada para implementarem planos estratégicos de preservação da natureza e garantir às atuais e futuras gerações de plantas saudáveis, livres de pragas e organismos causadores de doença.

 

 

Silvia explica que a fitossanidade reúne duas áreas do conhecimento, fitopatologia e entomologia, e está de acordo com a agenda 2030 da ONU, que possui 17 objetivos sustentáveis para transformar o mundo.

 

 

Dentre esses objetivos, os mais alinhados com a fitossanidade, segundo Silvia, são a “fome e desenvolvimento sustentável”. “A fitossanidade passa pelo desenvolvimento sustentável e a alimentação saudável. Essa área é fundamental para garantir a qualidade das lavouras e a redução de aplicação de produtos químicos para controle de pragas e doenças”, afirma. Além disso, de acordo com a pesquisadora, as plantações livres de problemas fitossanitários são mais produtivas, o que garante a oferta de alimentos para a população.

 

 

“A pandemia do novo coronavírus alertou para um ponto muito importante, que às vezes passa despercebido: a produção de alimentos é fundamental para garantir a saúde das pessoas. Sem comida, estaríamos vivendo momentos de muito mais dificuldade, pois a doença seria certa. Por isso, é importante pensarmos a produção agrícola e utilizar conhecimento e ferramentas para termos campos cada vez mais produtivos e produzindo de forma amigável ao meio ambiente”, afirma.