Projeto coordenado pelo ISI Biomassa em Três Lagoas (MS) define 16 novas formulações para produzir álcool em gel.

 

 

 

 

Coordenado pelo ISI Biomassa (Instituto Senai de Inovação em Biomassa), localizado em Três Lagoas (MS), foi concluído o projeto que busca fórmulas alternativas para a produção de álcool em gel sem a necessidade do espessante carbopol, uma das matérias primas do produto e que se encontra em falta no mercado desde o início da pandemia do novo coronavírus (Covid-19). Ao todo, foram definidas 16 novas formulações, usando 12 espessantes alternativos distintos ao carbopol.

 

 

O projeto, aprovado dentro do Edital de Inovação para a Indústria na categoria “Missão Contra Covid-19” e que recebeu investimentos de R$ 2,6 milhões financiados pelo Senai Nacional, Embrapii (Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial) e pela ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial), tem o apoio do ISI Biossintéticos e Fibras (Instituto Senai de Inovação em Biossintéticos e Fibras), localizado no Rio de Janeiro (RJ), e do ISI Polímeros (Instituto Senai de Inovação em Engenharia de Polímeros), que fica em São Leopoldo (RS), além da parceria com empresas e universidades.

 

 

As fichas técnicas com as formulações validadas dentro do projeto encontram-se na plataforma do Senai Nacional para ampla divulgação e podem ser acessadas pelo link www.senai.br/maisprevencao. “A repercussão desse projeto foi muito grande e, em uma das reuniões, fomos considerados pela ABDI como o melhor projeto de inovação de que eles já participaram. Acredito que foi fundamental para mostrarmos a capacidade do Senai em atuar em rede e também demonstrar nosso conhecimento para desenvolver inovações que beneficiem a sociedade como um todo, principalmente num momento de pandemia”, afirmou a coordenadora do ISI Biomassa, Carolina Andrade.

 

 

Para a viabilização do projeto, a parceria com a Adecoagro Vale do Ivinhema, localizada em Angélica (MS), foi fundamental, pois a indústria sucroenergética doou 500 litros de etanol anidro. “A Adecoagro acredita que é um projeto com enorme potencial e recebeu os resultados das pesquisas que desenvolveram 16 formulações para o álcool gel 70° INPM. A companhia percebeu que a nova tecnologia em desenvolvimento poderá contribuir com a criação de um novo produto mais acessível às pessoas na proteção contra a Covid-19, já que a higienização das mãos com álcool em gel fará parte desse ‘novo normal’ de forma permanente”, afirmou a empresa por meio de sua assessoria.

 

 

Formulações

 

 

A pesquisadora do ISI Biomassa, Jessica Medina Gallardo, explicou que foram encontradas 16 fórmulas com 12 espessantes porque em algumas formulações foi usado o mesmo espessante, variando apenas os outros componentes, como neutralizante, estabilizante ou umectante. “Nós também tínhamos entre os objetivos do projeto disponibilizar várias alternativas de formulações de álcool em gel para uma avaliação custo/benefício pelo cliente”, destacou.

 

 

Os espessantes validados estão agrupados em origem celulósica, sintéticos e outros e já são usados na indústria alimentícia e cosmética. São eles: hidroxietilcelulose, hidroxietilmetilcelulose, hidroxipropilmetilcelulose, poliacrilamida, proliacrilato crosspolymer 6, copolímero acrilato, carbômero alternativo, espessante sintético Luviset, espessante sintético Acusol, quitosana, acetato de cálcio e a fécula de mandioca modificada. “Nós não encontramos nem descobrimos novos espessantes, mas validamos a sua aplicação na fórmula de álcool em gel”, ressaltou a pesquisadora.

 

 

Ela reforçou que todos os objetivos inicialmente propostos foram atingidos satisfatoriamente. Ao todo, foram testados o desempenho de 26 espessantes alternativos ao carbopol e 12 apresentaram resultados satisfatórios e foram definidas 16 formulações com características físico-químicas adequadas e equivalentes às encontradas no álcool em gel comercial”, detalhou.

 

 

Depois que as fórmulas foram definidas, foi realizado um descritivo detalhado de especificação e composição do produto, procedimento de preparo, precauções de uso, riscos e armazenamento, com todas as informações publicadas nas fichas técnicas, sempre com o objetivo de ampla divulgação de forma organizada.

 

 

“Além disso, calculamos o custo específico por litro de cada formulação validada e realizamos um levantamento dos fornecedores de insumos e matéria-prima que compõem a formula, incluindo o principal componente, o álcool hidratado, em três regiões do País: Sudeste, Sul e Centro-Oeste”, acrescentou Jéssica Gallardo.

 

 

Ainda durante o projeto, também foi possível validar o aumento de escala para a produção utilizando um dos espessantes da celulose, com uma produção de 300 litros de álcool em gel de uma única vez. “Verificamos a ação antisséptica desse primeiro lote de produção em escala piloto através dos testes microbiológicos. Esperamos que no cenário de pandemia e pós-pandemia, as formulações representem mais uma opção para a produção de álcool em gel, e finalmente acabar com a dependência de um único produto espessante, que ainda é importado”, finalizou a pesquisadora.