Paulo Skaf, da Fiesp, “pleito do setor para tributação de CBIOs em 15% é legítimo, necessário e urgente”

 

 

O presidente da Fiesp — Federação das Indústrias do estado de São Paulo defendeu em almoço com o presidente Jair Bolsonaro e com o Ministro da Economia Paulo Guedes, dentre outros empresários e representantes do governo, que a alíquota dos CBIOs (créditos de descarbonização do RenovaBio) seja de 15%. O almoço ocorreu no último dia 3 de julho, em Brasília/DF.

 

 

Segundo Skaf, “o título (CBIO) é um ativo ambiental e faz parte de um programa que impulsiona investimentos em tecnologia e geração de renda e empregos para o interior do país. Não faz sentido a tributação do CBIO ser mais do que o dobro da aplicada às debentures, por exemplo, enquanto o mundo todo incentiva a redução de emissões com menor tributação. Uma tributação neste patamar, na fase inicial do programa, pode inibir este mercado”.

 

 

A questão da tributação dos CBIOs foi tema da conversa do presidente da Fiesp com os representantes do governo. “Tive a oportunidade de falar sobre esses temas que considero muito relevantes. O presidente e o ministro Guedes ouviram e o ministro Guedes ficou de avaliar”, destacou Skaf que disse que o pleito do setor (de 15% de alíquota) “é legítimo, necessário e urgente”.

 

 

Questionado sobre quais foram os temas centrais da discussão ocorrida no Palácio da Alvorada, Paulo Skaf foi enfático: “crédito, crédito e crédito. Pois o acesso ao crédito é o maior problema enfrentado pelas empresas no momento. O crédito é essencial para que as empresas superem os efeitos da quarentena imposta pela pandemia”.

 

 

Ainda no debate foram tratados temas como questões estruturais que serão importantes após a travessia da pandemia. “Neste bloco destacam-se as reformas estruturais como a Tributária, a Administrativa, o controle dos gastos públicos e a pauta ambiental, na qual os CBIOs tem papel de extrema relevância”.

 

 

Outro tema abordado na reunião foi a liberação de mais recursos para a estocagem de etanol. “O setor estimava uma demanda da ordem de R$ 9 bilhões para a estocagem de 6 bilhões de litros de etanol necessários para os 3 meses de entressafra. O BNDES aprovou uma linha de crédito de R$ 3 bilhões”.

 

 

“Não é demais lembrar que a redução do consumo e a desvalorização dos preços, eclodiu justamente no início da nova safra de cana no Centro-Sul (2020/21), período em que se concentra a necessidade de caixa das empresas para fazer frente aos gastos operacionais. Além do setor ser um forte empregador no interior do país, gerando mais de 1 milhão de empregos diretos, a produção nacional do biocombustível reduz a necessidade de importação de gasolina e evita a emissão de até 90% de CO2 através da queima do combustível fóssil”, concluiu Skaf em entrevista exclusiva para a Agência UDOP de Notícias.

 

 

Rogério MianFonte:

Agência UDOP de Notícias

Foto: Marcos Corrêa