Os efeitos da poluição do ar para a saúde e os benefícios do biocombustível

Professor de medicina da USP fala das consequências da exposição diária ao ar poluído e as alternativas mais ecológicas para melhorar a qualidade de vida

 

 

Quando um carro é abastecido com combustível fóssil, diversas substâncias produzidas pela queima incompleta da gasolina e do diesel contribuem para o aumento da poluição e o crescimento de incidência de doenças respiratórias. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a estimativa é que mais de quatro milhões de pessoas morram prematuramente por ano devido à utilização deste tipo de combustível.

 

 

De acordo com o professor da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo), Paulo Afonso de André, em recente entrevista para o CoperCast – canal de comunicação da Copersucar – as minúsculas partículas que entram no corpo durante a respiração acompanham o fluxo do ar até o fundo do pulmão, causando muita irritação a todo o organismo. Os fragmentos mais finos ainda têm a capacidade de atravessar o tecido do pulmão e chegar até a corrente sanguínea, podendo atingir outros os órgãos do corpo humano.

 

 

Na tentativa de reduzir este impacto na saúde da população, o professor ressalta que há anos os governos vêm adotando medidas para ajudar a melhorar a qualidade do ar nos grandes centros urbanos, como o desenvolvimento prioritário de uma legislação ambiental seguida da instalação de uma fiscalização para que as metas de redução que foram criadas fossem cumpridas.

 

 

Uma das opções que contribuíram, por exemplo, para que a cidade de São Paulo tivesse uma qualidade de ar bem melhor que as grandes cidades chinesas foi a adoção do etanol como combustível de massa, que teve apoio de importantes ações como o programa Proálcool na década de 70, o aumento da mistura de etanol na gasolina e a chegada do carro flex em 2003. Hoje, mais de 80% da frota do Brasil pode utilizar biocombustível, sendo que nos últimos 17 anos, o uso do etanol impediu que mais de 515 milhões de toneladas de CO2 fossem lançadas no céu brasileiro, o que equivale a plantar mais de 4 bilhões de árvores nativas.

 

 

A preferência pelo etanol reduz em até 92% a emissão de carbono nos escapamentos dos carros quando comparado com o uso da gasolina, diminui em 99% o lançamento de benzeno e em 90% o de óxido de enxofre. Além disso, a produção deste biocombustível é limpa e renovável, recuperando de mais de 2 bilhões de metros quadrados de matas ciliares e a preservando de mais de 8 mil nascentes.

 

 

São Paulo representa mais de 50% do mercado de etanol hidratado e está escolha do consumidor foi decisiva para reduzir a poluição do ar na grande metrópole. O professor explica que basta entrar no site da CETESB e pegar a concentração de material particulado de 1990 até 2019. “Neste período, houve um significativo aumento da frota e da população, mas a poluição começou a baixar, com uma redução de quase 50% da concentração média do material particulado na região metropolitana de São Paulo. De acordo com a OMS, a cada 10 microgramas por metro cúbico deste material particulado, há uma redução de 6% na mortalidade geral da população. Neste período, tivemos uma redução de 14, o que dá para estimar em 9% a queda das mortes na região metropolitana”, completa.

 

 

Para conferir a entrevista completa com o professor Paulo Afonso de André, uma conversa sobre a poluição do ar causada pela queima de combustíveis fósseis e os benefícios que uma mudança para biocombustíveis pode causar à população, basta acessar a plataforma de áudio da Copersucar no Spotify ou no Google Podcasts . A entrevista publicada está disponível para os ouvintes escutarem quando e onde quiserem.

 

 

CoperCast, canal de comunicação da Copersucar, traz especialistas para discutir os assuntos com embasamento acadêmico, em episódios breves e fácil entendimento para todos.