O “PAPEL” DA CANA:

O portfólio de produtos fabricados em escala comercial a partir da cana-de-açúcar não para de crescer. Além de açúcar como alimento, biocombustível nos transportes, energia elétrica renovável e bioplásticos para o segmento de bebidas, a biomassa sucroenergética vem, gradualmente, conquistando espaço na indústria de papel e celulose, um dos mercados mais tradicionais do mundo.
Importante passo nessa direção foi dado no dia  (03/02), em Lençóis Paulista (SP), com a inauguração da primeira fábrica capaz de transformar palha de cana, matéria-prima de baixo custo e abundante no Brasil, em pasta celulósica 100% sustentável para a produção de papéis biodegradáveis do tipo sanitário (toalha e higiênico) e para embalagens (kraft, manilha, corrugado e tubetes).O consultor de Emissões e Tecnologia da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Alfred Szwarc, destaca o pioneirismo da iniciativa. “O Brasil já comercializa papéis feito de bagaço de cana há quase uma década. Entretanto, este material é importado da Colômbia. Com este novo projeto, teremos uma produção doméstica utilizando tecnologia que permite explorar o potencial de um outro excedente canavieiro, que é a palha”, explica. Dados da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá) revelam que o País está entre os maiores produtores de papel e celulose do mundo. De janeiro a dezembro de 2016, o setor teve receita liquida de US$ 71 bilhões.A abertura oficial da fábrica erguida pela empresa Fibra Resist, do Grupo Cem, no Distrito Industrial Luiz Trecentti II, foi prestigiada por empresários, trabalhadores e autoridades governamentais. “Fiquei bastante surpreso e feliz de ver uma ideia como esta nascer e prosperar no Brasil. (…) tem tudo para ser um marco mundial no aproveitamento da palha da cana”, afirmou o ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), Marcos Pereira. Já o secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo (SAA), Arnaldo Jardim, ressaltou que a planta “incorpora novos conceitos de sustentabilidade, dando a possibilidade de uma fonte inédita para a celulose”.Com 60 mil metros quadrados e com capacidade para converter a palha de cana em até 72 mil toneladas de pasta celulósica por ano, a unidade recebeu investimento de R$ 25 milhões, dos quais R$ 10,5 milhões foram financiados pela Agência de Desenvolvimento Paulista (Desenvolve SP). Contratos iniciais para fornecimento de pasta celulósica já foram acertados com a Cooperativa de Produtores Rurais (Coopercitrus).

ProcessoDe acordo com a Fibra Resist, a pasta celulósica feita da palha, diferentemente de outros processos existentes no mercado, é feita sem a necessidade de calor e com base em um produto químico de origem renovável, o biodispersante, que separa a lignina (molécula que dá rigidez às plantas) das fibras da cana. Os resíduos fabris não geram custos de descarte e podem ser reutilizados como adubo no campo.A produção de papel por meio da biomassa de cana teve início em 2007, quando a multinacional brasileira GCE desenvolveu uma tecnologia para converter o bagaço em folha sulfite de maneira mais sustentável, sem a aplicação de cloro elementar. Atualmente, a marca, cujas fábricas estão sediadas na Colômbia, comercializa seis linhas Ecoquality® no mercado nacional.
 
Fonte: Unica