Mudanças climáticas:

Convidada para participar de um painel em que especialistas em combustíveis de baixo carbono discutiram soluções urgentes de combate às mudanças climáticas, a presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Elizabeth Farina, evidenciou o biocombustível produzido a partir da cana como um importante agente redutor de gases de efeito estufa – emite até 90% menos que a gasolina –, além de destacar o papel estratégico que políticas públicas como o Programa RenovaBio têm para dinamizar o mercado de energias renováveis no país.
 
A sessão de debates ocorreu na ultima terça-feira (24/10), durante o Biofuture Summit 2017, evento internacional que reuniu autoridades e executivos de diversos países em prol do desenvolvimento de uma economia global moderna e sustentável. O objetivo central do encontro, que se encerra nesta quarta, será a elaboração de uma Declaração de Visão para a 23ª Conferência do Clima (COP23), em novembro, na Alemanha.
 
“Hoje, a gasolina gera muitos impactos socioambientais negativos. Além destes problemas não serem percebidos pelo consumidor, são prejuízos não penalizados. Uma das soluções é corrigir os preços relativos entre os renováveis e fósseis, dando mais competitividade ao etanol”, afirmou Elizabeth ao ser questionada sobre como o RenovaBio poderá ajudar na expansão da produção de biocombustíveis. A iniciativa, em gestação no governo federal, é considerada fundamental para “descarbonizar” os transportes, ainda mais diante das metas de desenvolvimento sustentável assumidas pelo país até 2030. No Acordo de Paris, o Brasil se prontificou a mitigar 43% das suas emissões de gases de efeito estufa nos próximos 13 anos, objetivo que contempla a maior participação dos derivados da cana (etanol e bioeletricidade) na matriz energética nacional.
 
As vantagens ambientais, sociais e econômicas de outros biocombustíveis, como biodiesel e o biogás, e os desafios enfrentados por aqui e no resto do mundo para expandi-los, incluindo questões culturais e mitos sobre os produtos, também esteve em pauta no painel integrado pela presidente da UNICA. A sessão, moderada pelo diretor da ONG Below50, Gerard Ostheimer, teve participações do presidente da Associação Brasileira de Biotecnologia Industrial (ABBI), Bernardo Silva, do vice-presidente da Associação Brasileira de Biogás e Biometano (Abiogás), Gabriel Kropsch, e do diretor da União Brasileira de Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio), Donizete Tokarski.Plataforma Biofuturo
 
A realização do Biofuture Summit 2017 integra uma série de ações no âmbito da Plataforma Biofuturo, movimento lançado durante a COP22, no Marrocos. São 20 nações trabalhando para promover, de forma flexível e dinâmica, a cooperação e o diálogo entre governos, indústria, academia, organizações internacionais, instituições financeiras e outras partes interessadas em acelerar o desenvolvimento e expansão sustentáveis dos biocombustíveis avançados.  Além do Brasil, que lidera a iniciativa, participam: Argentina Canadá, China, Dinamarca, Egito, Finlândia, França, Índia, Indonésia, Itália, Marrocos, Moçambique, Países Baixos, Paraguai, Filipinas, Suécia, Estados Unidos, Reino Unido e Uruguai.