Moagem de cana-de-açúcar atinge quase 3 milhões de toneladas na primeira quinzena de março.

 

 

Na primeira quinzena de março, as unidades da região Centro-Sul processaram 2,99 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, sendo quase 90% destinada à produção de etanol (243,76 milhões de litros). A quantidade fabricada de açúcar, marginal, atingiu apenas 40,83 mil toneladas.

No acumulado desde o início da safra 2019/2020 até 16 de março, a moagem somou 582,92 milhões de toneladas, enquanto as produções de açúcar e de etanol alcançaram 26,53 milhões de toneladas e 32,79 bilhões de litros, respectivamente. 

 

 


“Faltando apenas uma quinzena para o fim da safra, esse volume do renovável ultrapassa em 2,20 bilhões de litros o recorde anterior de 30,95 bilhões de litros, registrado na temporada passada”, lembra o diretor técnico da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (UNICA), Antonio de Padua Rodrigues.

 

 

 
Contribuindo para esse recorde, a produção de etanol a partir do milho totalizou 1,50 bilhão de litros até 16 de março, sendo fabricados 85,59 milhões de litros fabricados nos primeiros quinze dias de março. 
Na primeira quinzena deste mês, 26 usinas iniciaram a moagem. Assim, até o dia 16 de março, o Centro-Sul contava com 43 unidades em operação, sendo 32 usinas processando cana-de-açúcar e 11 empresas com fabricação de etanol de milho (sendo 3 dedicadas exclusivamente ao processamento desta matéria-prima). A saber, na mesma data de 2019 foram registradas 25 unidades processando cana e outras 6 somente com milho.

 

 


Levantamento preliminar conduzido pela UNICA indica que deveremos observar 68 unidades produtoras em operação no Centro-Sul no final de março (12 unidades postergaram o início da safra para a primeira quinzena de abril). Esse número é ligeiramente inferior às 80 unidades com moagem registradas em 31 de março de 2019.
Até 15 de abril deste ano, o referido levantamento indica que 198 usinas estarão em operação na Região Centro-Sul, contra 157 unidades registradas em igual período do ano passado.

 

 


Rodrigues ressalta que até o momento as empresas estão conseguindo operar normalmente. “Observamos alguns problemas pontuais como o atraso na entrega de equipamentos enviados para a reforma, a dificuldade de colheita manual em alguns casos isolados e a preocupação com a obtenção de AET para o transporte da cana-de-açúcar, por exemplo”, acrescentou o executivo.

 

 


Cabe destacar que as unidades estão tomando todas as precauções necessárias para preservar os seus colaboradores e que a manutenção das atividades é fundamental para garantir a oferta de açúcar, etanol combustível, bioeletricidade e álcool para assepsia. 
Em relação a esse último item, cabe destacar que a UNICA, em ação coordenada com as suas associadas, está promovendo a doação de mais de um milhão de litros de álcool graduação 70% inpm para o sistema público de saúde.

 

 


“Importante o entendimento das autoridades sobre a importância do setor sucroenergético na produção de alimento, energia e, agora, de álcool para a assepsia. As características da matéria-prima impedem a sua estocagem e a interrupção do processo produtivo também impactaria severamente os mais de 700 mil trabalhadores desta indústria e os 70 mil produtores agrícolas de cana-de-açúcar”, conclui Rodrigues.

 

 


Vendas de etanol 
Nos primeiros 15 dias de março, as vendas de etanol pelos produtores da região Centro-Sul somaram 1,10 bilhão de litros, dos quais 29,38 milhões de litros destinados à exportação e 1,07 bilhão de litros ao mercado interno. 
Em relação ao volume de etanol anidro comercializado no mercado doméstico, houve um aumento de 5,36%:  383,17 milhões de litros, contra 363,67 milhões de litros apurados na mesma quinzena de 2019. Já no caso do etanol hidratado, as vendas internas totalizaram 690,96 milhões de litros nos primeiros quinze dias de março.

 

 


“Até o momento não observamos retração no preço da gasolina praticado na bomba. As reduções de preço do etanol hidratado no produtor refletem, até o momento, o início da safra de cana-de-açúcar no Centro-Sul e expectativa de perda de competitividade do biocombustível nas próximas semanas”, explicou o executivo da UNICA.

 

 


Dados preliminares de mercado indicam que houve crescimento superior a 3% no consumo de combustíveis do ciclo Otto no País em fevereiro deste ano. Portanto, a retração esperada em decorrência das medidas para conter a disseminação da COVID-19 só deve ser observada a partir de março.