Indústria:

Na 1ª rodada dos “Encontro Setorial da Indústria – Compromisso com o Desenvolvimento”, realizada pelo Sindivest/MS, Sindigraf/MS e Sindical/MS,
na noite desta segunda-feira (13/02), no Edifício Casa da Indústria, em Campo Grande (MS), o presidente da Fiems, Sérgio Longen, apresentou aos empresários e trabalhadores da indústria parte da proposta a ser sugerida ao governador Reinaldo Azambuja em resposta à revisão dos incentivos fiscais para o setor e a criação do Fundo Estadual de Estabilidade Fiscal, que obrigaria as indústrias beneficiadas a contribuírem com 10% do que deixam de pagar de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços).
 
Segundo Longen, os industriais teriam a opção de aderir ao Fundo Estadual de Estabilidade Fiscal em troca da renovação, por mais cinco anos, dos incentivos já concedidos. “Essa proposta foi apresentada ao governador como alternativa para estancar o déficit de arrecadação, que é a principal alegação do Executivo estadual para rever os benefícios já concedidos à indústria. Por meio dela, o empresário que tiver interesse poderá contribuir com esse Fundo sem comprometer suas atividades e compensando os investimentos”, declarou, informando que a sugestão também foi discutida com os secretários estaduais de Governo, Eduardo Riedel, e de Meio Ambiente e Desenvolvimento, Jaime Verruck.
 
Ele foi bastante incisivo ao afirmar que a quebra dos contratos de incentivos já concedidos às indústrias do Estado é “inadmissível” e alertou, ainda, para o cenário de preocupação dos industriais. “Muitos empresários, de diversos segmentos da indústria, já me procuraram bastante temerosos com essa questão da revisão dos incentivos”, ponderou. Representante da indústria de calçados Klin, instalada em Três Lagoas desde 2002, Carlos Alberto Mestriner afirmou que inclusive há possibilidade de demissões em massa porque, com o corte de incentivos, muitas empresas podem fechar as portas.
 
“São os incentivos que mantém competividade das indústrias. O Governo anterior nos atraiu para Mato Grosso do Sul concedendo grandes incentivos e, não adianta não falar, o empresário olha a conta e essa conta tem que fechar. Se colocar no papel a questão da logística, da mão de obra, tudo que tem um custo. E acabar um trabalho de mais de 15 anos, que envolveu a capacitação de mão de obra, a comunidade de toda a região de Três Lagoas, seria muito triste”, falou o empresário, que também é vice-presidente do Sindicato das Indústrias de Calçados e do Vestuário de Birigui (SP) e veio da cidade paulista para discutir a questão dos incentivos.
 
Na mesma linha, o presidente do Sindivest/MS, José Francisco Veloso Ribeiro, apontou o desemprego como principal atenuante da revisão dos incentivos. “O Governo do Estado tem se mostrado sensível às questões do setor da indústria e esperamos que isso continue porque o desemprego é uma realidade que vem batendo à porta das famílias e, juntos, empresário e trabalhador precisam reverter esse quadro”, disse o dirigente sindical depois de apresentar um panorama do segmento no Estado.
 
Desemprego
 
Também depois de falar sobre a situação das gráficas sul-mato-grossenses, o presidente do Sindigraf/MS, Julião Gaúna, comentou que, diante da crise, sindicalistas têm atuado para “fazer do limão uma limonada”. “Diante do desemprego, os sindicatos tentam fazer com que o desemprego seja uma coisa que cause impacto positivo, oportunizando a essa mão de obra represada que seja realocada no mercado de trabalho”, declarou.
 
Presidente do Sindical/MS, João Batista Camargo Filho ressaltou que a pauta de discussão é imprescindível no atual cenário econômico. “Conversar com o empresário neste momento de crise é muito importante diante das dificuldades que temos enfrentado”, reforçou.
 
Com cartazes demonstrando a preocupação com a perda dos empregos, trabalhadores da indústria também participaram do evento. “A crise política e econômica no Brasil atingiu o limite e o trabalhador não pode ser penalizado, pagar o pato. O sindicato está pronto para participar de qualquer ação no sentido de impedir que empresas fechem as portas”, disse o presidente do Sindicatos dos Trabalhadores das Indústrias Gráficas do Estado, Leodair Martins Rôa.
 
Presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria da Alimentação de Campo Grande e Região, Rinaldo Salomão, destacou ser essencial a discussão promovida pelos empresários. “Não podemos permitir que essa reforma aconteça sem que todos os envolvidos, e que forem afetados por ela, sejam ouvidos”, avaliou.
 
Representando a Assembleia Legislativa, o deputado estadual Paulo Correa afirmou que, enquanto presidente da Comissão de Indústria e Desenvolvimento da Casa de Leis, vai assegurar que o empresário tenha participação na discussão para elaborar a reforma. “Sempre que a arrecadação de um Governo cai, tem um setor que é penalizado. Mas já adianto que sou terminantemente contra a quebra dos contratos de incentivo, não podemos permitir essa insegurança jurídica para o empresário e, no que depender de mim, a revisão não será aprovada”, disse o parlamentar.
 
Como representante da Prefeitura de Campo Grande, o titular da Sedesc, Luiz Fernando Buainain, fez um resumo da situação da pasta responsável pela aprovação dos incentivos às empresas que pretendem se instalar na Capital. “A Sedesc vai trazer novos empresários, mas, antes de tudo, vai fomentar o empresário que já está aqui na cidade”, emendou. A noite da 1ª rodada dos “Encontros Setoriais da Indústira” foi encerrada com a palestra “Empregos e Produção como base da economia”, promovida pelo empresário Reinaldo Espinosa.
 
Os eventos
 
Com a realização dos “Encontros Setoriais da Indústria – Compromisso com o Desenvolvimento”, os principais sindicatos das indústrias de Mato Grosso do Sul promovem uma série de debates, ao longo das próximas semanas, sobre as melhores estratégias e alternativas para enfrentar as ameaças ao setor no Estado em meio à crise econômica.  Durante esses eventos, os empresários têm a oportunidade de debater a geração de empregos e o aumento da produção, mantendo a competitividade das suas indústrias, além de discutir temas de interesse de cada segmento, tais como os caminhos para enfrentar os novos desafios, empregos e produção como base da economia, a crise e as ameaças para a indústria e produção e emprego e competitividade em risco.
 
Ainda serão realizadas mais três rodadas dos “Encontros Setoriais da Indústria – Compromisso com o Desenvolvimento” nas seguintes datas: 20 de fevereiro e 6 e 13 de março, sempre no período noturno, a partir das 19h30, e no auditório do Edifício Casa da Indústria, em Campo Grande (MS). No dia 20 de fevereiro, será a vez da 2ª rodada dos “Encontros Setoriais da Indústria”, que será promovido pelos sindicatos das indústrias cerâmicas, da construção civil e extrativa mineral, enquanto no dia 6 de março será realizado a 3ª rodada, organizada pelos sindicatos das indústrias metalmecânicas, plásticas e moveleiras.
 
A 4ª e última rodada dos “Encontros Setoriais da Indústria” está agendada para o próximo dia 13 de março e será realizada pelos sindicatos das indústrias de alimentos e bebidas, frigorífica, panificação e laticínia. Os eventos são organizados pelo Sindivest/MS, Sindigraf/MS, Sindical/MS, Sinduscon/MS, Sindicer/MS, Siams, Simemae/MS, Sindepan/MS, Sindimad/MS, Sicadems, Silems, Sindiplast/MS, Sindiecol e Biosul.