Fenasucro:

Na cerimônia de abertura da 25º edição da Fenasucro & Agrocana, Elizabeth Farina, presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), falou emocionada ao agradecer a nomeação como a primeira presidente mulher de honra da Feira.
 
Em seu discurso, lembrou que essa homenagem se estende a todos os profissionais da entidade como uma grande defensora dos interesses do setor, além de motivar outras mulheres a desenvolverem suas carreiras no setor sucroenergético.
Mas, o ponto principal de sua fala foi quando abordou o desenvolvimento do RenovaBio e a expectativa de que essa política pública seja aprovada como Medida Provisória. “Ficaremos frustadíssimos se esse projeto não for encaminhado como um instrumento legal nas próximas semanas”, afirmou.
 
Para o setor, o programa significa a expansão da produção de etanol no Brasil, aumento da capacidade produtiva, surgimento de novas usinas, reinvestimento em maquinário e equipamentos. Ou seja, a maior previsibilidade para investimentos e garantia de sustentabilidade da indústria no longo prazo. Trata-se de um programa de redução de emissões de Gases de Efeito Estufa no setor de transporte, fundamental para o cumprimento dos compromissos assumidos pelo Brasil no Acordo de Paris, que se baseia no fortalecimento dos biocombustíveis.
 
Debate
No painel “A Nova Regulamentação do Setor Sucroenergético, promovido pela Datagro e CEISE Br, realizado na sequência da abertura, Farina mostrou que o RenovaBio aparece como um plano estratégico de longo prazo, para combater o aquecimento global com a valorização dos biocombustíveis.
 
O funcionamento do programa se dá pelo estabelecimento de metas de descarbonização às distribuidoras e emissões de títulos de descarbonizarão, os CBIOs, pelos produtores de biocombustíveis, conforme ilustrado no gráfico abaixo. As distribuidoras compram CBIOs para demonstrar o cumprimento de suas metas. A emissão de CBIOS tem como origem notas fiscais de venda de etanol pelos produtores. O modelo incentiva a busca de eficiência em emissões, valorizando as rotas tecnológicas de menor intensidade carbônica.

Mais uma vez, a presidente da UNICA disse que o RenovaBio não propõe imposto sobre carbono, nem subsídios ao setor, mas redução de emissões no setor de combustível e garantia de segurança energética. Como consequência, significativos benefícios à sociedade serão gerados como resultado da retomada dos investimentos, geração de empregos, redução de gastos com saúde pública e redução de déficit na balança comercial, uma vez que o Brasil dependerá menos da importação de combustíveis fósseis.
 
Como complemento à sua fala, Miguel Ivan, diretor de biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia, disse que o RenovaBio é um caminho importante para que o Brasil seja referência mundial em política ambiental, capaz de implementar um sistema inteligente de descarbonização no setor de transportes, aumentando a participação de biocombustíveis na matriz energética. O Professor Plinio Nastari, representante da sociedade civil no Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), apresentou uma ampla revisão da importância da redução de emissões no setor de transportes e ofereceu mais detalhes sobre o Renovabio.