Energias Alternativas:

Nesta quarta-feira (21), às 14h30, no Palácio Piratini, a Escola Estadual de Ensino Médio José Luchese recebe o Selo Solar do Instituto Ideal, uma certificação que reconhece o compromisso da instituição com a sustentabilidade por meio da aposta em uma energia renovável e de baixo impacto para o meio ambiente. Localizada em Lagoa Bonita do Sul, região Centro Serra do Vale do Rio Pardo, é a primeira escola pública do Brasil a receber a certificação. O Governador do Estado José Ivo Sartori e representantes da Secretaria de Estado da Educação e das empresas Japan Tobacco International (JTI) e Solled participam do ato.
Há alguns anos, o Rio Grande do Sul investe na ampliação e implantação de micro usinas solares para a produção de energia. Segundo dados recentes da Agência Nacional de Energia Elétrica, é o segundo Estado do Brasil que mais gera energia solar. Em 2016, a EEM José Luchese se tornou a primeira escola estadual do Rio Grande do Sul a receber energia solar. Lá foram instalados 25 painéis solares de 315 Watts cada um, com capacidade de geração média de 945 KW por mês, o que representa 80% da necessidade mensal da instituição de ensino.
A aquisição foi possível graças aos programas da JTI, indústria localizada em Santa Cruz do Sul, chamados Nossas Comunidades Rurais e Alcançando a Redução do Trabalho Infantil pelo suporte à Educação (ARISE) por meio do Programa do Governo do Estado Escola Melhor: Sociedade Melhor. O ARISE é desenvolvido pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), pela ONG Winrock Internacional (WI) e pela JTI, visando contribuir para a erradicação do trabalho infantil nas lavouras de tabaco da região em que atua. Com a economia na conta da luz, antes paga pelo Governo do Estado, foi possível contratar uma professora para atender permanentemente os alunos em oficinas de música que acontecem no contraturno escolar, contribuindo para o combate ao trabalho infantil.
 
Por mais escolas sustentáveis e mais comunidades livres do trabalho infantil
Desde dezembro de 2017, por meio do projeto Nossas Comunidades Rurais, da Japan Tobacco International (JTI), outras três escolas públicas experimentam a energia solar e a garantia da manutenção das oficinas extraclasse: Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) Jovino Fiuza, de Arroio do Tigre, EMEF Geralcino Dornelles, de Sobradinho, e EMEF Luiz Augusto Colombelli, de Ibarama.
“Uma preocupação constante para quem realiza uma ação social é a sua sustentabilidade. Esta iniciativa permite que a ação continue independentemente do desenvolvimento do Programa ARISE na região”, relata o diretor de Assuntos Corporativos e Comunicação da JTI, Flavio Goulart.
Ele destaca que para investir na sustentabilidade e na autonomia dos produtores na gestão dos avanços obtidos, o Programa tem apostado no envolvimento de parceiros externos que fortaleçam a credibilidade de tudo que vem sendo feito. O projeto Fotovoltaico está neste âmbito: com a economia conquistada, o Estado e Municípios passam a financiar os educadores que ministram as oficinas para as crianças e jovens.
Considerada como a primeira oficina autossustentável do Programa ARISE, o projeto já foi reconhecido com outras premiações importantes, entre elas a de primeira escola pública com o Selo Verde no Brasil. Recentemente, quatro das 22 escolas participantes do Programa, tiveram trabalhos premiados no 1º Prêmio Ministério Público do Trabalho (MPT) na Escola, que compõe o Eixo Educação do “Resgate à Infância”, projeto focado no combate ao trabalho infantil. O concurso cultural trabalhou o tema em escolas do Ensino Fundamental de 20 Municípios gaúchos, envolvendo mais 12 mil estudantes.
O SELO SOLAR
 Consumir eletricidade produzida a partir do sol é uma atitude inovadora, em 2018, tomada por algumas empresas no Brasil. O número de sistemas fotovoltaicos dobrou no último ano, alcançando cerca de 20 mil em todo o Brasil, segundo dados da ANEEL. O custo das tecnologias de conversão de energia solar em elétrica vem reduzindo conforme o aumento da demanda. Para que as empresas que hoje já apostam na energia do futuro possam ser reconhecidas pelos seus consumidores, o Instituto para o Desenvolvimento de Energias Alternativas para a América Latina (Ideal) e a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) lançaram o Selo Solar, com o apoio da Cooperação Alemã para o Desenvolvimento Sustentável por meio da Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ) GmbH e do Banco Alemão de Desenvolvimento (KfW). Com isso, as instituições esperam também incentivar que novos projetos sejam colocados em prática no país. Desde 2015, o WWF-Brasil também apóia a iniciativa.
O PROGRAMA ARISE
No Brasil, o ARISE começou a ser desenvolvido em fevereiro de 2012. Os esforços se concentraram nos municípios de Arroio do Tigre, Ibarama, Lagoa Bonita do Sul e Sobradinho. As escolas públicas desses municípios se tornaram os pontos de referência do Programa para o envolvimento com as comunidades. Mesmo que as crianças frequentassem a escola, muitas vezes, após o período escolar, acabavam trabalhando nas propriedades. O desafio lançado foi o de, por meio da colaboração, inspirar oportunidades que criassem novas tradições, com impacto sustentável e de longo prazo. Em 2017, por meio da JTI, foi estabelecida a parceria com a Organização Internacional de Empregadores (OIE) para compartilhar a experiência do ARISE na modalidade das melhores práticas com mais de 150 empresas e organizações de membros e empregadores. O Programa também passou a fazer parte do grupo teÌ cnico de trabalho da Iniciativa Internacional. Além disso, escolas que integram o ARISE receberam apoio de organizaçoÌ?es como UNICEF, World Vision e a FundaçaÌ?o para a IrrigaçaÌ?o e o Desenvolvimento SustentaÌ vel. No Brasil, no período de 2012 a 2016, o ARISE assegurou, segundo iniciativas de avaliação externa feitas por instituições como Universidade de Santa Cruz (Unisc) e Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), que:
 
– 2.233 professores receberam treinamentos;
– 658 mães foram envolvidas nas capacitações;
– 174 jovens tiveram oportunidades de qualificação;
– 22 escolas participaram ativamente do Programa;
– 3.180 crianças matriculadas regularmente na escola e incluídas no Programa;
– 46.117 pessoas participaram dos eventos de conscientização, foram alcançadas pelo programa de rádio e por outras atividades.
 
FOTO: Com a economia na conta da luz, foi possível viabilizar oficinas de música para os alunos no contraturno escolar Divulgação/JTI