Energia renovável não é suficiente: nova publicação destaca o que mais é necessário para atingir metas climáticas.

Como parte da Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP25), a Fundação Ellen MacArthur apresentou sua mais recente publicação que demonstra o papel essencial da economia circular para enfrentar a mudança climática, com versões em português e espanhol lançadas hoje

A transição para fontes de energia renovável levará a uma redução de apenas 55% nas emissões

Os 45% restantes resultam da forma como fazemos e usamos os produtos e da forma como produzimos os alimentos e manuseamos o solo

O artigo ilustra como aplicar a economia circular em apenas cinco áreas chave (cimento, plásticos, aço, alumínio e alimentos) pode eliminar quase metade das emissões restantes, uma redução de 9,3 bilhões de toneladas até́ 2050. Isso é o equivalente a eliminar todas as emissões atuais de transporte do mundo inteiro

A Fundação Ellen MacArthur pede aos líderes governamentais e empresariais que adotem a economia circular como um modelo vital para zerar as emissões até́ 2050

A Fundação Ellen MacArthur participa com líderes de todo o mundo da Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP25) para apresentar sua mais recente publicação, que revela a necessidade de uma transição fundamental na abordagem global de enfrentamento das mudanças climáticas.

O artigo, desenvolvido em colaboração com a consultoria Material Economics, teve versões em português e espanhol lançadas hoje em apoio ao chamado da Fundação para que líderes governamentais e empresariais ao redor do mundo adotem a economia circular como um modelo vital para zerar as emissões até 2050. O anúncio aconteceu hoje no painel presidencial sobre economia circular e mudanças climáticas.

A organização sem fins lucrativos, que tem como missão acelerar a transição a uma economia circular para enfrentar os principais desafios do mundo, diz que é vital ir além da energia renovável como foco atual de solução para a mudança climática.

Como exposto no artigo ​Completando a Figura: como a economia circular ajuda a enfrentar a mudança climática​, a transição para energias renováveis endereça apenas 55% das emissões globais de gases de efeito estufa. Para atingir os objetivos climáticos da ONU, o artigo enfatiza a necessidade urgente de lidar com os 45% restantes.

O artigo demonstra o potencial da economia circular para enfrentar essas emissões negligenciadas. Para ilustrar esse potencial, o artigo considera cinco áreas chave: aço, plástico, alumínio, cimento e alimentos.

Adotar um modelo de economia circular nessas áreas pode gerar uma redução total de 9,3 bilhões de toneladas de gases de efeito estufa até́ 2050. Isso equivale a eliminar as emissões atuais de todas as formas de transporte do mundo. Esses exemplos fornecem uma mensagem clara a outras indústrias​ – como a moda, a indústria de eletrônicos e de embalagens – sobre o valor que a economia circular pode oferecer.

Mudanças na dieta, inovações emergentes e captura e armazenamento de carbono são as últimas peças necessárias para completar a figura de como o mundo pode zerar as emissões até́ 2050.

Ao lançar o artigo, a Fundação Ellen MacArthur diz que ele busca fornecer uma peça importante que estava faltando nas soluções contra a mudança climática, demonstrando como empresas, instituições financeiras e agentes públicos podem construir uma economia prospera e resiliente, ao mesmo tempo em que combatem a mudança climática.

“A transição para a energia renovável tem um papel essencial no enfrentamento das mudanças climáticas, mas só́ isso não será́ suficiente. Para atingir os demais objetivos do clima, é crucial que transformemos a forma como projetamos, fazemos e usamos os produtos e os alimentos. Completar a figura por meio de uma transição para a economia circular pode nos tornar aptos a alcançar as necessidades de uma população global em crescimento, ao mesmo tempo em que criamos uma economia próspera e resiliente, que pode funcionar a longo prazo,” diz a dama Ellen MacArthur, fundadora da Fundação Ellen MacArthur.

O Acordo de Paris exige a redução das emissões líquidas a zero até́ 2050 para limitar o crescimento da temperatura em até́ 1.5​°C​. Enquanto a economia circular está fundamentada na energia renovável, o artigo também demonstra o papel crucial que o setor de alimentos e setores industriais chave podem ter na redução das emissões para atingir o objetivo.

“Esse artigo mostra que a transição para uma economia circular não é apenas uma oportunidade de enfrentar as emissões intersetorialmente, mas de projetar uma economia que é restaurativa e regenerativa, criando benefícios para a sociedade, empresas e o meio ambiente,” acrescenta Ellen.

Christiana Figueres, ex-secretária executiva da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC) e sócia-fundadora da Global Optimism diz: “a redução nas emissões de carbono representa oportunidades enormes de criatividade. Isso é real para toda empresa, para toda cidade e qualquer país. Essa é a direção para a qual precisamos nos mover, e este relatório oferece dados convincentes para confiarmos nas nossas habilidades de otimizar a descarbonização e o desenvolvimento econômico em apoio mútuo de um ao outro.”

A economia circular é baseada em três princípios: eliminar resíduos e poluição, manter produtos e materiais em uso e regenerar sistemas naturais.

Além de reduzir as emissões, o artigo mostra que a economia circular tem o potencial de aumentar a resiliência aos efeitos da mudança climática e contribuir para atingir os diversos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU.

A adoção de um modelo de economia circular pode ajudar a América Latina a superar a sua dependência de indústrias extrativas e práticas agrícolas que promovem desmatamento e, em vez disso, gerar valor de maneiras que regenerem o seu capital natural incomparável.

Esse modelo proporciona também maior resiliência aos efeitos da mudança climática que, segundo o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), poderão custar à região entre 2-4% do seu PIB até 2050.