Em evento virtual, 400 empresários de 5 países debatem desafios da Hidrovia Paraguai-Paraná.

 

 

Evento virtual organizado pela Cadex (Camara de Exportadores, Logística y Promoción de Inversiones de Santa Cruz de la Sierra) foi assistido por mais de 400 empresários de cinco países (Brasil, Paraguai, Argentina, Bolívia e Uruguai) nesta quarta-feira (3) para discutir propostas de melhorias da logística do modal hidroviário. O Foro Internacional de Logística Fluvial “entre COVID y Aguas Bajas” teve como tema “Desafios e oportunidades da logística e comércio pela Hidrovia Paraguai-Paraná”.

 

 

Por mais de cinco horas, 13 painelistas apresentaram suas preocupações e propostas. Todos eram executivos de empresas do setor de navegação, com exceção de um único painelista do setor público: o secretário Jaime Verruck, da pasta de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar de Mato Grosso do Sul. Sua participação se deveu aos esforços do governo de Mato Grosso do Sul para viabilizar o transporte fluvial, segundo o explicou o presidente da Cadex, Oswaldo Barriga.

 

 

Com dois portos em operação, o complexo de Porto Murtinho deve embarcar 1 milhão de toneladas de grãos nesse ano. No ano passado foram 400 mil toneladas e em 2015 o transporte fluvial estava praticamente inativo ali. Com forte articulação do governo do Estado, coordenada pela Semagro, pesados investimentos foram feitos no município nos últimos anos, incluindo a ampliação do porto existente, a construção de mais um porto, de um Centro de Triagem com capacidade para 400 carretas e o governo está construindo um novo acesso asfaltado até a área portuária.

 

 

Verruck: único do setor público no evento

“O governo de Mato Grosso do Sul definiu como um eixo estratégico a potencialização da Hidrovia do Paraguai e a partir daí foi criado um programa de incentivos para investimentos tanto em Ladário/Corumbá, quanto em Porto Murtinho. O resultado é que nesse ano vamos bater novo recorde de exportações de commodities por Porto Murtinho, que até então era inexistente”, disse Verruck.

 

 

Na avaliação do secretário, a sinalização de apoio do governo a investimentos privados no transporte fluvial foi de fundamental importância para desenvolver a logística hidroviária com aumento da demanda. Ele acredita que com o potencial de carga de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Bolívia, é possível avançar muito na utilização desse modal, através da bacia do rio Paraguai.

 

 

Do evento resultou uma carta com 12 encaminhamentos para serem apresentados aos governos dos cinco países com propostas para potencializar a Hidrovia. Tema preocupante, a redução do nível do leito do rio tem exigido dinamismo das empresas de transportes e exige investimento em tecnologia para manter a navegabilidade. No dia 25 de maio, a régua fixada em Porto Murtinho mostrava uma lâmina de 2,8 metros. No mesmo dia do ano passado eram 5,76 metros. Os dados são da Sala de Situação do Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul).

 

 

O presidente da Capeco (Câmara Paraguaia de Exportadores de Cereais e Oleaginosas), César Jure, manifestou o desejo de seguir dialogando com o grupo em busca de propostas para definir uma linha de ação consensuada “que oriente nossos esforços para alcançar êxito e superar as obstruções físicas e burocráticas que permitam operações mais eficientes e melhorem a competitividade de nosso comércio exterior”. Jure sintetizou o desejo do grupo: construir uma hidrovia dinâmica e com parâmetros garantidos para o tráfego.

 

 

Publicado por: João Prestes