Dólar alto, bom para quem?

 

 

Sérgio Longen

As preocupações globais das últimas semanas têm dado as cartas na economia de muitos países. Lamentavelmente, isso se deve à propagação do novo coronavírus. O receio da epidemia, que já provocou centenas de mortes, também tem causado retração na produção de muitos países, principalmente daqueles que têm o maior número de casos registrados.

 

 

Mantendo a discussão no campo econômico, se afunilarmos e regionalizarmos o problema, o Brasil registra abalos diretamente no câmbio e, por consequência, na vida econômica do País. O freio da alta do dólar e a contenção das perdas percentuais da bolsa têm sido temas recorrentes nos noticiários e isso não é para menos.

 

 

O patamar histórico acima da casa dos R$ 4,60 fez a moeda americana se tornar – teoricamente – a vilã da importação e o brilho nos olhos de quem exporta. Reitero, isso apenas na teoria porque, na prática, a consequência para o mercado interno pode ser preocupante. Com o dólar nas nuvens, existe um risco iminente de aumento da inflação por mais que esteja próxima da meta.

 

 

Temos aí, um risco de desequilíbrio na prática de mercado porque os reajustes do preço final na gôndola do supermercado vão acompanhar a diferença de quem importa a matéria-prima. Em resumo, essa alta da moeda americana acaba refletindo diretamente em itens da cesta básica, por exemplo.

 

 

Os órgãos de saúde por todo o mundo têm trabalhado incansavelmente para encontrar saídas que minimizem os problemas causados pelo novo coronavírus. Nesse momento, os países acabam enfrentando dois problemas: a proliferação de casos e a queda na atividade econômica que essas ações de prevenção acabam impondo. A China, por exemplo, tem diminuído a produção industrial sistematicamente e, como hoje atende grande parte da produção mundial, acaba refletindo na economia de diversos países.

 

 

O câmbio sobe e a produção diminui. Alguns países asiáticos, por mais que também exibam riscos de epidemia, têm tentado substituir o ritmo de produção chinesa, mas, como a economia é cíclica, essa alteração de foco de produção pode levar alguns anos.

 

 

O câmbio brasileiro é livre e flutuante, ou seja, o mercado faz a regulação. O que na minha avaliação é bastante positivo. Isso é uma medida de liberdade econômica tomada há anos. Embora seja positivo deixar o mercado regular o câmbio, os riscos existem, como estamos vendo agora, por mais intervenções que o Banco Central faça.

 

 

De todo modo, é válido deixar o alerta. Embora o novo coronavírus seja a grande preocupação mundial, deixando muitas vítimas em diferentes países, no Brasil até o momento temos menos de uma dezena de casos confirmados e nenhum óbito. Diferente da dengue, que, apenas em Mato Grosso do Sul, já tirou 13 vidas, além de 24 mil notificações. A grande chave que vejo para tudo isso indica a prevenção que pode preservar vidas e, porque não dizer, preservar também a economia e geração de empregos.

 

 

Sérgio Longen é empresário, presidente da Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (Fiems) e vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI)