Diretor do IAC toma posse como membro titular da Academia Brasileira de Ciências nesta quarta, 23

A Academia Brasileira de Ciências (ABC), na área de Ciências Agrárias, contará com um representante do Instituto Agronômico (IAC), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. O pesquisador científico e diretor-geral do IAC, Marcos Antônio Machado, tomará posse como membro titular da Academia nesta quarta-feira, 23 de setembro de 2020. A apresentação dos novos membros será a partir das 20h. O evento de posse ocorrerá durante a Reunião Magna Virtual da ABC, que seguirá também nos dias 25 e 29 de setembro e será encerrada em 2 de outubro. A programação completa está no link http://www.abc.org.br/evento/reuniao-magna-abc-2020/, nele é possível fazer a inscrição gratuitamente. Com o tema “O Mundo a partir da COVID-19”, o evento terá tradução simultânea.

 

 

Os membros titulares da ABC são cientistas com destacada atuação científica, radicados no Brasil há mais de dez anos. Machado é diretor-geral do IAC desde 24 de janeiro de 2019 e pesquisador científico do Instituto na área de citricultura. Foi diretor do Centro de Citricultura “Sylvio Moreira” do IAC de 17 de maio de 2003 a 1º de agosto de 2018, quando se tornou diretor-técnico do Centro de Programação de Pesquisa do IAC. É engenheiro agrônomo formado pela Universidade de Brasília, em 1978, tem mestrado em Fisiologia Vegetal pela Universidade Federal de Viçosa, em 1981, e doutorado em Agronomia, pela Justus Liebig Universitat, Giessen, na Alemanha, em 1987.

 

 

Segundo Machado, a Academia é o fórum mais qualificado, científico e tecnologicamente, não só no Brasil como em todo o mundo. “Ser eleito significa ser aprovado pelos seus pares nesse elevado fórum, é um reconhecimento mundial, sinto-me particularmente contente de estar na Academia, principalmente porque represento um dos setores mais importantes do Brasil, que é a agricultura”, avalia.

Para ele, o ingresso na ABC é extremamente importante, não apenas do ponto de vista pessoal, mas também para o Instituto. Isso porque representa, em certo aspecto, o reconhecimento do trabalho do pesquisador dentro da instituição e do setor em que atua o cientista eleito. “Porque ninguém faz o trabalho isolado, existe todo o suporte institucional e o apoio das equipes, que resultam nesse reconhecimento”, ressalta.

 

 

Além das atividades no IAC, Machado coordena o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Genômica Comparativa e Funcional e Melhoramento Assistido de Citros (INCT II), apoiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). É também membro da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) e do Comitê Assessor do CNPq na área de Biotecnologia.

 

 

O pesquisador toma posse no momento em que a ciência está no auge dos holofotes mundiais por conta da pandemia. Por outro lado, a ciência nacional vive uma crise de valorização. “Estar na Academia neste cenário é extremamente importante, na medida em que a própria pandemia e a situação atual do Brasil e do mundo valorizam a ciência por um lado e, por outro, a desvalorizam”, analisa.

 

 

Para Machado, ser membro da Academia é estar alinhado com o pensamento científico de realmente conduzir a ciência no agro. “Lembrando que minha posição é como membro titular representando a agricultura”, pontua o diretor-geral do IAC. Ele já foi agraciado com os prêmios Frederico de Menezes Veiga, da Embrapa, em 2005; Prêmio Summa Fitopatologica de Melhor Artigo Científico, do Grupo Paulista de Fitopatologia, em 2002 e em 1996; Mérito Científico e Tecnológico do Governo do Estado de São Paulo, em 2000; e Ordem Nacional do Mérito Científico, do Ministério da Ciência e Tecnologia, em 1998, dentre outros.

 

 

O pesquisador destaca que o agro tem demonstrado sua relevância na economia e relembra que esse setor conquistou esse posto graças aos investimentos em ciência e tecnologia. “Esse investimento começou todo no Instituto Agronômico, depois se espalhou em outras áreas do país, mas o berço desse investimento é o Instituto Agronômico”. Na posição de gestor do IAC, Machado valoriza a qualificação da equipe como condutora ao futuro do conhecimento. Ele enxerga a unidade de pesquisa como geradora e difusora de ciência e tecnologia, considerando o agricultor como usuário constante dos recursos gerados.

 

 

Segundo o novo membro titular, a Academia Brasileira de Ciências, por ser independente, apartidária, multidisciplinar e alinhada com todo o princípio de uma instituição dessa natureza nos outros países, ela representa um fórum de defesa da ciência e da tecnologia. “Está sempre atenta às mudanças e reivindicando as melhorias das condições de ciência e tecnologia por entender que esse é o único caminho para o desenvolvimento, considera Machado, que também atua como orientador de mestrado e doutorado em cursos de pós-graduação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), nas áreas de genética, biologia molecular e biologia funcional e molecular; e na Universidade Estadual Paulista (Unesp), na área de genética. “A Academia é supra institucional e extremamente importante na defesa desses princípios da ciência e tecnologia em todos os setores.”

 

 

A relação dos novos membros titulares da ABC resultou da eleição na Assembleia Geral Ordinária, realizada em 3 de dezembro de 2019, na Sede da ABC, no Rio de Janeiro. Não fosse a pandemia, a posse dos novos Acadêmicos teria sido realizada na Capital carioca, na Escola Naval, em maio passado.

 

 

Além de Machado, os novos Acadêmicos eleitos como membros titulares nas respectivas áreas na ABC são: Gregório Pacelli Feitosa Bessa, nas Ciências Matemáticas; Cláudia Lúcia Mendes de Oliveira nas Ciências Físicas; Aldo José Gorgatti Zarbin e Silvia Stanisçuaski Guterres nas Ciências Químicas; Maria Teresa Fernandez Piedade e Monica da Costa Pereira Lavalle Heilbron nas Ciências da Terra; Marcos Silveira Buckeridge nas Ciências Biológicas; Aldo Ângelo Moreira Lima, Maria Aparecida Juliano e Santuza Maria Ribeiro Teixeira nas Ciências Biomédicas; Antonio Egidio Nardi nas Ciências da Saúde; Marcia Walquiria de Carvalho Dezotti nas Ciências da Engenharia; Ricardo Ventura Santos nas Ciências Sociais. Os membros correspondentes recém-eleitos são John G. Hildebrand, da University of Arizona; George Fu Gao, da University of Chinese Academy of Sciences; e Denis Vialou, do Muséum National d’Histoire Naturelle.