Dia da Mulher:

Elas trabalham duro. Têm jogo de cintura para equilibrar a vida pessoal e profissional, enquanto encaram a dupla jornada, que não é considerada fácil. Seja como executivas de carreira, fundadoras do próprio negócio ou como herdeiras, atingir o sucesso como empresária significa ter um olhar diferenciado.
 
No Dia Internacional da Mulher, comemorado nesta quarta-feira (08/03), o Sistema Fiems conta a trajetória de nove executivas que se destacam como líderes e mentoras de indústrias de Mato Grosso do Sul e são exemplo de força e inspiração para outros profissionais.
 
Esse é caso da empresária Cláudia Pinedo Zottos Volpini, proprietária da Cerâmica Volpini, em Terenos (MS). Ela encontrou na adversidade a força necessária para tocar a Cerâmica Volpini, indústria de tijolos localizada no município de Terenos. Com a morte do marido, há 24 anos, Cláudia manteve-se forte e consolidou a marca Volpini no mercado.
 
“Trabalhávamos juntos desde a fundação da empresa, 38 anos atrás. Perdi meu companheiro de vida e dos negócios e foi um baque muito forte na minha vida pessoal, mas o lado profissional nunca se deixou abalar”, fala a empresária, que conta ter sido a primeira mulher do País a assumir um sindicato do segmento cerâmico.
 
Hoje, Cláudia cuida da parte administrativa e financeira da Cerâmica Volpini e comanda 65 funcionários da fábrica que produz cerca de 800 mil peças por mês. “Sempre gostei de colocar a mão na massa e me entrego 100%. Sou 100% mulher, 100% mãe, 100% empresária”, conta. 
Cláudia Pinedo Zottos                                         Danucha Michelon Marchesin 
 
Responsabilidade
 
Já a empresária Danucha Michelon Marchesin, proprietária da Quimiplast, em Campo Grande (MS), conta que a pouca idade ainda não é capaz de denunciar a responsabilidade que carrega nas mãos. Filha de industriais, cresceu pisando no chão da fábrica (ainda de fundo de quintal), escolheu a carreira que queria seguir (engenharia elétrica) e assumiu o comando de uma das empresas da família, sozinha, aos 22 anos. “Nunca sofri preconceito por ser mulher”, declara, mas assume que passou os 4 anos da faculdade sem usar saias “para passar o mais desapercebida possível” em meio aos colegas homens.
 
Logo que começou a atender clientes, percebeu que alguns tentavam tirar proveito por causa da inexperiência com negócios, mas o tempo cumpriu seu papel e ela passou a tirar isso de letra. Hoje, aos 29 anos, casada e mãe da pequena Sophia, de 1 ano e meio, faz da fábrica com 15 funcionários a extensão do lar, provando que com coragem, talento e perseverança, qualquer obstáculo se torna degrau para o sucesso.
 
A médica do Trabalho Adriana Rossignoli Sato, diretora de Saúde e Segurança do Trabalho do Sesi, com um pensamento “fora da caixa”, provocou uma verdadeira revolução na forma como a entidade de Mato Grosso do Sul lida com as relações do trabalho, saúde e doença dos trabalhadores. Desde que ingressou no Sesi, em agosto de 2013, a médica, formada pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), com uma passagem pelos Estados Unidos, percebeu que poderia usar a experiência – que inclui uma residência médica em Medicina do Trabalho, em ambulatórios, em uma rede de supermercados mineira e em um frigorífico de Mato Grosso do Sul – para implementar um serviço que apoiasse a indústria na redução dos impactos dos afastamentos causados por doenças.
 
Nascia, então, o atual modelo de Gestão SST (Segurança e Saúde no Trabalho), que se tornou referência para os Sesi de todo o Brasil. “Naquela época, fazíamos o arroz com feijão da medicina do trabalho, mas podíamos ir muito além. Acompanhar as empresas, indicar o quê e como fazer poderia reduzir, e nossos dados mostram que reduzimos os acidentes de trabalho”, conta Adriana Sato. Da médica e duas técnicas administrativas, o programa hoje conta com uma equipe multidisciplinar distribuída pelas unidades do Sesi do Estado, de enfermeiros e a engenheiros. “Nunca tive um perfil de médica tradicional e sou avessa à zona de conforto”, emenda Adriana Sato sobre o diferencial para se tornar uma executiva de sucesso. 
Adriana Rossignoli Sato                                      Irlanda Cabral Coelho
 
Longo caminho
 
A empresária Irlanda Cabral Coelho, proprietária da Kibela, em Campo Grande (MS), percorreu um longo caminho repleto de dificuldades desde o início como costureira ao sucesso com 70 funcionários e 7 lojas em 3 Estados. Ela começou produzindo algumas peças de lingerie, com tecido comprado aos poucos em São Paulo e chegou a jogar tudo para o alto e viajou para os Estados Unidos, mas o sonho americano não se cumpriu e ela voltou para terras pantaneiras disposta a investir no antigo talento da costura.
 
“Alugamos uma pequena sala comercial na Rua 13 de Maio e começamos a trabalhar. Eu, mais uma costureira, minha mãe no atendimento e meu marido no corte”, relata. Nessa fase, Irlanda e o marido dormiam na própria loja. “Nosso colchão ficava debaixo do balcão”. Foram anos de perrengue, anos investindo cada centavo na melhoria do espaço, na compra de novos equipamentos, revertendo toda e qualquer renda para o próprio negócio. “Demoramos pelo menos 6 anos para começar a vislumbrar lucro, para poder dizer que alcançamos certo sucesso”. Para quem se aventura no ramo empresarial, Irlanda tem algumas dicas enfáticas: trabalhe, seja paciente e atue com algo que você conheça a fundo. “Assim não tem como dar errado”.
 
Silvana Gasparini Pereira, sócia-proprietária do Laticínio Imbaúba, em Bandeirantes (MS), buscar sempre o melhor, trabalhando em equipe e prestando atenção nos outros. A indústria laticínia beneficia leite há 26 anos e está consolidada como referência quando se trata de derivados lácteos. Ao lado do marido, Edgar, Silvana alia a formação como psicóloga com a vocação para os negócios para comandar a Imbaúba com mãos de ferro e garantir eficiência no fornecimento e distribuição dos produtos.
 
“Nunca estou satisfeita, sempre acho que deveria estar fazendo mais, melhor ou diferente. Ao mesmo tempo, escuto muito as pessoas ao meu redor. Acho que ouvir e, acima de tudo, manter uma aproximação saudável com os funcionários, é essencial para o sucesso dos negócios. O líder que acha que sabe tudo, que tem todas as respostas, perde oportunidade de ser um profissional melhor”, pondera a empresária, que lidera 62 funcionários, entre diretos e indiretos, em Bandeirantes, onde está localizada a fábrica, e no escritório administrativo, em Campo Grande.
Silvana Gasparini Pereira                                     Ligia Queiroz de Brito Machado
 
Ligia Queiroz de Brito Machado, proprietária da Polifort, conta que, entre idas e vindas como empresária, deixou o emprego em um banco para atuar na indústria gráfica e depois abriu uma do segmento plástico, sempre ao lado do marido. A reviravolta veio quando, em 2011, o companheiro de caminhada faleceu e, para ela, além da dor da perda, veio a responsabilidade de continuar, desta vez sozinha, tocando a Polifort, indústria e comércio de plásticos de Campo Grande.
 
“Foi um novo desafio para mim, que atuava só na parte financeira, passar a cuidar de toda a empresa. Meus filhos sempre trabalharam em outras áreas e só agora, depois de formados, começaram a se envolver na empresa. Mas sempre tive uma força muito grande, para cuidar dos negócios, criar os filhos, conciliar trabalho e família, saber decidir o que priorizar”, conta Ligia, cuja empresa, hoje, tem 18 funcionários e distribui sacolas plásticas para todo Mato Grosso do Sul.
 
Presença constante
 
A empresária Milene de Oliveira Nantes, sócia-proprietária do Laticínio Tradicional, em Sidrolândia (MS), conta que, desde que o pai fundou a empresa, em 1997, figura constante nas dependências do laticínio. Ora atendendo telefone, ora contando moedas, cada pequena atividade levava a uma certeza incontestável: queria levar adiante o negócio da família. “Meu pai até insistiu que eu fizesse faculdade de Direito, buscasse outros rumos, mas eu não imaginava um futuro longe do laticínio que ele fundou”.
 
Decidida, formou-se em Administração de Empresas e assumiu o comando dos departamentos comercial e financeiro, sempre contando com o auxílio dos irmãos, especialmente na área técnica. “Meu pai também participa ativamente da tomada de decisões. Sempre que há alguma divergência entre os filhos, ele ajuda a encontrar o consenso”. Paralelamente aos negócios, Milene constituiu família, contou com a ajuda do marido no laticínio por algum tempo, e teve dois filhos: o mais novo está com apenas três meses de vida. “Conciliar exige rebolado, né? Lembro de atender o telefone na maternidade e ajudar a resolver alguma pendência da empresa. Mas em todos os momentos eu contei com o auxílio da família, isso faz toda a diferença”.
Milene de Oliveira Nantes                                    Lenise de Arruda Viegas
 
Lenise de Arruda Viegas, proprietária da Confecção Universal, em Corumbá (MS), não se conteve quando, aos 13 anos de idade, o pai a presenteou com uma máquina de costura, dizendo: “Lugar de mulher ganhar dinheiro é em casa”. O duro conselho não a abalou. Pelo contrário. Persistente, Lenise construiu uma história de sucesso no segmento, e é proprietária da Confecção Universal, que há 21 anos é referência em Corumbá quando se trata de uniformes personalizados.
 
“Tinha 48 anos quando comecei meu próprio negócio. Na época, uma camisaria tradicional, a única da cidade, estava fechando as portas. Eu, que sempre gostei de costurar, e desde criança fazia roupinhas para as minhas bonecas, resolvi arrendar a fazenda que era do papai, e comprei as máquinas. Aluguei um espaço, um ano depois tive que mudar para um local maior, onde até hoje funciona a confecção, e comprei novas máquinas”, comemora a proprietária da Universal, que gera 15 empregos diretos. “Por muitas vezes pensei em desistir. Tinha um pai antiquado, bastante conservador, já me disseram que não tinha o perfil de empresária. Mas rapidinho as dúvidas passam e a gente toca em frente. Hoje, posso dizer que estou vivendo o melhor momento da empresa”, afirma Lenise.
Irma Tinoco Atagiba Asseff
 
Irma Tinoco Atagiba Asseff, sócia-proprietária da São Domingos Materiais de Construção, em Corumbá (MS), sempre foi o braço forte ao lado do marido, Edemir Chaim Asseff, na administração da empresa herdada do sogro. Atua no departamento financeiro, com recebimentos e cobranças, e ainda concilia um trabalho externo. “Mulher é sinônimo de força, de diálogo. Nos momentos de dificuldade, nós conseguimos enxergar as possibilidades com mais clareza”.
 
À empresa da família, ela confere a chance de ter formado os dois filhos, um em contabilidade (hoje concursado), e o outro prestes a se tornar analista de sistemas. “Não permaneceram na empresa da família, mas seguiram seus próprios caminhos honrada e honestamente, e isso nos orgulha muito”. Aos filhos, ela sempre mostrou a importância do papel da mulher no desenvolvimento e manutenção da família. “Eles vivenciam conosco a nossa luta diária. Desde muito cedo começaram a nos ajudar e entenderam o valor do trabalho, do respeito. Hoje, olhando para os nossos filhos, sei que desempenhamos bem o nosso papel de pais e empresários”.