Crise energética no Brasil: é possível evitar?

Especialista do Centro Universitário FEI explica o que leva um país a uma crise energética e esclarece o que é feito para que possa ser evitada

Não muito distante de uma crise energética, o Brasil hoje se depara com uma grande preocupação relacionada a suas fontes de energia. Com o constante avanço tecnológico, que acarreta aumentos de consumo e preço, o país precisa readaptar seus costumes e se reinventar quanto à produção de energia. Para resolver essas incógnitas, Renato Giacomini, coordenador do curso de Engenharia Elétrica no Centro Universitário FEI, fala sobre o assunto.

Já tendo passado por crises energéticas anteriormente, o Brasil se depara com uma situação semelhante, porém com novos desafios: o crescimento da população se dá de forma moderada, mas o consumo de energia aumenta em mais de 2% ao ano, de modo que, em algum tempo, a oferta não suportará a demanda.

Ainda assim, Giacomini afirma que o maior problema será a redistribuição de cargas para a mobilidade elétrica, bem como a microgeração, que é a geração em pequenas máquinas e conversores, para uso local. “São consequências das novas tecnologias. O carregamento simultâneo de automóveis em centros muito populosos, por exemplo, deve exigir mais da rede de distribuição do que o originalmente previsto. Isso demandará reprojeto e reconstrução de parte dos sistemas de transmissão e distribuição de energia”, explica.

Atenta a essas demandas do futuro, a FEI inaugurou em outubro, em parceria com a ABB, o primeiro Eletroposto localizado dentro de uma instituição de ensino no Estado de São Paulo. Instalado no Campus de São Bernardo do Campo e disponível para uso de qualquer condutor de veículos elétricos, o dispositivo de recarga também serve como um complemento para os laboratórios da Instituição. “Nossos alunos já estão em contato com um equipamento que se tornou tendência global antes de estar amplamente disponível para o público geral. Isso os prepara para lidar com desafios que a profissão trará no futuro”, comenta o professor.

Giacomini explica ainda que a chegada da crise energética depende de como o Brasil vai superar sua atual crise econômica. “Sem crescimento econômico, não haverá falta de energia tão cedo”, argumenta, mas menciona a importância de formarmos engenheiros capacitados para lidarem com eventuais crises e desenvolverem novas fontes de energia. “Para o futuro, devemos resolver o problema da sazonalidade da geração e da dependência do clima, já que a matriz brasileira é parcialmente dependente desse fator”, completa.