Como novas tecnologias podem melhorar o tratamento de água no Brasil.

Por: Alexandre da Silveira Serain

Acesso à água limpa parece um conceito básico em 2020 – especialmente nas torneiras de quem mora nas regiões centrais de metrópoles – mas a verdade é que isso ainda está longe de ser uma realidade para todos os brasileiros. Hoje, mais de 35 milhões de pessoas não possuem acesso a esse líquido de forma tratada em território nacional, de acordo com estimativas de 2018 do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS).

 

 



Mudar esse cenário não é tarefa fácil e depende da cooperação de agentes públicos e privados a fim de garantir a infraestrutura e processos necessários para que o acesso à água limpa seja cada vez mais popular no país. Muito já foi feito, é verdade – mais de 83% dos brasileiros são atendidos pelas redes de água tratada, ainda segundo o SNIS – mas esse esforço não pode parar.

 

 



No caminho para tornar o acesso à água tratada cada vez mais universal e igualitário, a tecnologia exerce um papel cada vez mais importante. A privatização de empresas de tratamento de água entre a década de 1990 e os anos 2000 exerceu um impulso fundamental para a modernização de redes de tratamento. Para se ter uma ideia, nos últimos 20 anos foram investidos mais de R$ 15 bilhões em iniciativas tecnológicas pelas empresas privadas deste setor.

 

 



A automação é um bom exemplo disso, pois hoje está presente nos sistemas de tratamento de água e esgoto a fim de garantir padrões de qualidade constantes para a população. Garantindo a aplicação correta e proporcional de produtos químicos por volume de água que chega à estação de tratamento, esse recurso impõe índices de pureza constantes, mesmo com a variação da demanda.

 

 



Além disso, a automação atua também na prevenção de perdas e identificação de vazamentos. Já estão em uso máquinas capazes de fazer a telemetria de adutoras e tubulações capazes de identificar perdas em tempo real. Isso é feito tanto pela diferença de água bombeada pela água consumida, ou ainda por equipamentos que podem identificar com maior precisão a localização exata do vazamento e seu volume.

 

 



Há ainda aplicações avançadas, que demandam maior volume de investimento, como inversores de frequência capazes de reduzir o consumo de energia, motores com tecnologia de imã permanente e softwares de gerenciamento que são capazes de gerar alarmes baseados no histórico de utilização.

 

 



Obviamente que todos esses recursos citados demandam investimentos, que podem, por exemplo, chegar através da economia com a redução de perdas na rede de distribuição e do processo como um todo – uma tarefa complexa, mas que tem de ser revisitada constantemente.

 

 



Há municípios que têm cumprido essa tarefa de forma mais avançada, especialmente no Sul e Sudeste. É possível afirmar isso ao analisar o percentual de população atendida pela distribuição de água e coleta de esgoto, índices de perdas e o investimento por arrecadação realizado para melhoria do sistema.

 

 



Por outro lado, há muitos municípios espalhados por diferentes regiões do país – especialmente quando estamos falando de distâncias consideráveis dos grandes centros urbanos – que ainda carecem desse tipo de serviço, geralmente por falta de recursos financeiros.

 

 



O impacto positivo dessas medidas pode ser sentido de diferentes maneiras. É necessário lembrar que elas podem facilitar a rotina de muitas pessoas, que deixam de ter de percorrer grandes distâncias para ter acesso à água limpa e tratada. Com isso, tratar questões sanitárias passa a ser uma tarefa menos penosa – já que água limpa significa menos pessoas doentes – e, consequentemente, os prejuízos associados a esse tipo de assunto também tendem a ser menores. O desafio não é fácil, mas com foco e investimentos, certamente poderá ser superado.

 

 

Alexandre da Silveira Serain é coordenador de vendas da Mitsubishi Electric