Bola sustentável:

A Copa do Mundo do ano que vem será na Rússia, mas o Brasil mais uma vez terá sua marca em todas as 64 partidas da competição. É que, pela primeira vez, a bola utilizada no torneio terá como componente uma borracha especial, feita a partir de cana de açúcar. Segundo o fabricante, uma borracha orgânica que tem uma pegada de carbono 10 vezes menor do que as similares, derivadas do petróleo.Depois da “falada” Jabulani, na África do Sul, e da insossa Brazuca, ambas trazendo referências culturais ao país sede, a bola da próxima Copa não tem nenhuma ligação com a Rússia.A Telstar 18 inclusive tem o mesmo nome – Telstar – das tradicionais bolas de gomos hexagonais utilizadas nas Copas do Mundo entre as décadas de 1970 e 1980, as primeiras feitas pela Adidas para os Mundiais.Repaginada, porém, a bola traz novas tecnologias. Para a Adidas, a Telstar 18 é a “bola mais inovadora” de todos os tempos, até porque ela já vem dotada de um chip que permitirá aos torcedores interagirem com ela através de um smartphone.A tecnologia brasileira está na segunda camada, que vem logo abaixo do couro sintético. Cada bola tem cerca de 15 gramas de borracha ecológica derivada da cana-de-açúcar.“Ela é uma camada esponjosa tem como funções manter o formato da bola, redondo, e transmitir a força do impacto do chute para a parte interior da bola”, explica Marcos Oliveira, diretor de vendas e marketing da Arlanxeo, empresa de capital alemão e saudita que opera em quatro unidades no país, uma delas em Triunfo, no Rio Grande do Sul.De acordo com ele, a borracha ecológica tem a mesma tecnologia de ponta de uma borracha comum. A diferença está no impacto ambiental de cada uma delas. “A Adidas nos procurou na busca de materiais sustentáveis. Somos o único fabricante que consegue fazer borracha sintética com matéria prima natural”, conta.O insumo, o gás eteno, é produzido pela Brasken, empresa do grupo Odebrecht que domina o setor de polímeros no país e que desenvolveu a tecnologia para produzir plástico ecológico. A Arlanxeo, que tem sua fábrica colocada à da Brasken em Triunfo, deu um passo além para reproduzir essa tecnologia na borracha. Só para a Adidas a venda deverá ser de 100 toneladas.De acordo com o diretor da Arlanxeo, a pegada de carbono do produto é 10 vezes mais baixa do que polímeros derivados de petróleo fóssil. Além disso, segundo a empresa, testes comprovaram que a emissão de CO2 da EPDM Kelman Eco (como a borracha ecológica é chamada) é 50% menor. Além das bolas, o material pode ser encontrado em vedamentos de automóveis e mangueiras, entre outros produtos.
 
Fonte: Unica