BIOMASSA DA CANA:

Os avanços na geração de eletricidade a partir da biomassa da cana, a conjuntura atual do mercado de energia, e os incentivos do governo para que esta fonte de energia seja cada vez mais forte dentro da matriz energética foram as pautas do Seminário COGEN / UNICA: “Bioeletricidade: Tecnologia e Mercado”, realizado na última quinta-feira, 16 de março, no auditório da UNICA. O evento contou com a participação de aproximadamente 80 representantes de empresas do setor e também do Subsecretário de Energias Renováveis do Estado de São Paulo, Antonio Celso Abreu Júnior, do presidente-executivo da Associação da Indústria de Cogeração de Energia (COGEN), Newton Duarte, e Zilmar de Souza, gerente de bioeletricidade da União da Indústria de Cana-de-açúcar (UNICA).
 
Na abertura do evento, Antonio Celso falou sobre os projetos de expansão do uso de energias renováveis dentro da matriz energética estadual e destacou a consulta pública da Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo que prevê a injeção do biometano na rede de distribuição junto com o gás natural. “Nós temos 66 usinas sucroenergéticas instaladas com distância de até 20 km dos gasodutos que podem incrementar a oferta do Estado”. De acordo com ele, o estudo está em elaboração e será apresentado em junho, na próxima reunião do CEPE (Conselho Estadual de Política Elétrica). Souza complementou que somente o potencial teórico do biometano advindo da vinhaça no Estado de São Paulo, considerando a produção de etanol na safra 2015/16, seria da ordem de um bilhão de m³/safra, chegando a equivaler 23% do consumo total anual de gás canalizado no Estado de São Paulo.
 
Souza aproveitou para reforçar o anúncio da EPE (Empresa de Pesquisa de Energia), que está trabalhando em uma nota técnica para estabelecer um Valor de Referência (VR) específico para a biomassa e o biogás e, uma vez concluída, enviará a recomendação para avaliação do Ministério de Minas e Energia (MME).  “O Programa de Desenvolvimento da Geração Distribuída de Energia Elétrica (ProGD), já instituiu os Valores Anuais de Referência Específicos para a fonte solar fotovoltaica e para a cogeração a gás natural. Atualmente, o valor limite para as demais fontes é de cerca de R$ 125/MWh, um dos fatores que desestimula a contratação na modalidade Geração Distribuída, quando a própria distribuidora local compra energia elétrica, respeitando o limite de 10% de sua carga e o Valor de Referência de cada fonte”, explica.
 
Para o executivo, a definição de um Valor de Referência para a biomassa e o biogás, no âmbito do ProGD, concomitantemente com as Chamadas Públicas para contratação de energia, e a futura regulamentação para permitir a injeção de biometano na rede de gás no Estado de São Paulo representarão sinais positivos para o mercado e devem contribuir para que haja um crescimento da oferta. Segundo Newton Duarte, presidente-executivo da COGEN, essas mudanças trarão enormes vantagens às distribuidoras de energia elétrica, na medida em que serão criadas ótimas condições de atendimento das necessidades de geração distribuída, evitando custos de transmissão e distribuição e incrementando a confiabilidade e qualidade do atendimento.
 
O Acordo de Paris, assinado pelo Governo Federal, prevê um aumento de mais de 300% na geração de bioeletricidade para a rede a partir de 2014 até o ano de 2030.  Estima-se que, somente em 2016, foram injetados na rede algo como 30 kWh para cada tonelada de cana no Sistema Nacional Interligado (SIN), na média, mas este valor pode chegar a 70 kWh/tc, desde que haja o devido investimento em ganhos de produtividade e políticas públicas mais claras que direcionem e estimulem investimentos.