Bagaço da cana-de-açúcar:

A julgar pelo destaque que projetos ligados à produção de etanol de segunda geração (que não compete com a produção de alimentos) receberam no Prêmio Brasil Bioeconomia 2018, o setor tem motivos para comemorar. No evento realizado pela Associação Brasileira de Biotecnologia Industrial (ABBI) nesta quinta-feira, 26/07, na Casa Bisutti, em São Paulo, soluções apresentadas pela Embrapa Agroenergia e Raízen foram escolhidas pela comissão julgadora da homenagem como exemplos inovadores para acelerar a consolidação da bioeconomia avançada brasileira em duas das três categorias.
 
O projeto da Embrapa Agroenergia “Produção de ácido xilônico a partir de hidrolisados de biomassa lignocelulósica” foi premiado na categoria Ideia. O trabalho busca a utilização da biomassa para produção de etanol lignocelulósico e outros compostos químicos. De acordo com o chefe da Embrapa Agroenergia, João Ricardo M. Almeida, o ácido xilônico é versátil. “Pode ser utilizado na indústria de alimentos, química, farmacêutica e como bloco construtor para moléculas químicas”, afirma. Em relatório do Departamento de Energia dos EUA, o ácido xilônico aparece entre os 30 melhores produtos químicos de valor agregado a ser produzidos a partir de biomassa.
 
Já na categoria Empresas-âncora, a premiada foi a Raízen. O projeto “Produção industrial de etanol segunda geração a partir de xilose”, propõe a utilização integral dos açúcares presentes no bagaço da cana-de-açúcar. Com isso, é possível aumentar a produtividade de etanol por área plantada em torno de 35%. O trabalho também contribui para a diversificação e absorção de mão de obra altamente especializada em um setor tradicional do agronegócio, com geração de novos empregos, contribuição para o fortalecimento da economia e benefício direto para a sociedade. “Vivemos um movimento de migração para geração de energia a partir de fontes renováveis, como a biomassa. O Brasil e a Raízen estão no centro desse esforço para enfrentar os desafios que se apresentam nos próximos anos, apostando em ferramentas de biotecnologia”, explica Raphaella Gomes, Head da Raízen Ventures.
 
A premiação encerrou o Fórum Bioeconomia Brasil 2018, evento que foi conduzido por lideranças do setor e contou com a presença de mais de 200 representantes da indústria e do governo, além de pesquisadores, imprensa e formadores de opinião. Segundo o presidente da ABBI, os projetos da Embrapa Agroenergia e da Raízen se destacaram entre mais de 30 soluções de altíssimo nível. “Estamos satisfeitos em anunciar os ganhadores. Tratam-se de projetos inovadores que estão alinhados com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU)”, comemora Bernardo. Patrocinado pela Amyris, Braskem, DSM e Novozymes, empresas que já trabalham com ferramentas da bioeconomia avançada no desenvolvimento de produtos, o evento teve apoio do CIB – Conselho de Informações sobre Biotecnologia.
 
Bioplástico vence na categoria Start-ups & Scale-ups
Já na categoria Start-ups & Scale-ups, a solução proposta pela Integra Bioprocessos foi a premiada. O projeto da start-up de biotecnologia utiliza o principal resíduo da indústria de biodiesel para produção de um bioplástico, o Poliácido Lático. A proposta, que está alinhada ao conceito de economia circular, não deixa resíduos e reduz os impactos no meio ambiente.
 
“Atualmente, temos milhares de toneladas de plástico depositadas nos oceanos. A tecnologia que desenvolvemos resulta na produção de um tipo de bioplástico – o Poliácido Lático – que pode ser degradado em menos de um mês, ao contrário dos 1.000 anos de um plástico comum”, afirma Nádia Skorupa Parachin, Sócia Co-Fundadora da Integra Bioprocessos. Segundo ela, a empresa de biotecnologia foi fundada com a convicção de que bioeconomia se consolidaria no Brasil como uma maneira de reduzir impactos no meio ambiente e otimizar recursos naturais. “Esse prêmio nos mostra que este é o caminho certo para o desenvolvimento do país; é um prazer e uma honra recebê-lo”, finaliza.