Agrotóxicos, drones e inteligência artificial: como esta combinação pode mudar nosso futuro?

Eduardo Goerl

Para começar a análise é preciso buscar a raiz do problema. Por que o mundo aplica agrotóxicos? Porque existem pragas e doenças que ameaçam a saúde da plantação. Para quem não é agricultor, podemos fazer um paralelo com o início da vida de jovem-adulto que tentou criar uma planta em casa e não teve sucesso, por falta de iluminação natural, falta de água ou algum fungo. Na agricultura é a mesma coisa, mas as plantas estão em larga escala. Um hectare é aproximadamente o tamanho de um campo de futebol oficial e, no Brasil, temos 65 milhões de hectares plantados.

 

 

Para seguir a análise, precisamos dividir o controle de pragas e doenças em duas partes: produto (agrotóxico, pesticida), que pode ser químico ou biológico e a aplicação destes produtos.

 

 

A aplicação de defensivos é uma tarefa perigosa e difícil, e tem um papel fundamental na discussão sobre agrotóxicos. Hoje, é feita por estes três meios: aplicação costal, tratores e aviões. Cada um destes possui diferentes rendimentos e eficiências, atendendo diferentes demandas.

 

 

O que aconteceria se nós não aplicássemos estes produtos? Com o nosso sistema econômico atual, os agricultores veriam sua produtividade cair, provavelmente os preços subiriam e, possivelmente, mais pessoas passariam fome ou, ao menos teriam menor acesso à alimentação, ainda que existam muitos dados indicando que pessoas não passam fome por falta de produção de comida.

 

 

Do ponto de vista de um lado da cadeia: 1) os agrotóxicos existem para garantir a saúde das plantas; 2) A produção de alimento em larga escala ajudou no nosso desenvolvimento como sociedade; 3) o produtor rural está interessado em produzir mais alimentos sempre.

 

 

Para contrapor, estudos mostram que o alimento que chega no nosso prato está cada dia mais contaminado com estes produtos químicos e que os riscos à saúde humana e ao futuro do nosso planeta são possivelmente irreversíveis.

 

 

Se você é uma pessoa que se permite analisar os dois lados das coisas, parece mais difícil saber quem é vilão, quem é mocinho. Afinal, estamos todos no mesmo planeta e alinhar os interesses de todos parece uma tarefa bem difícil.

 

 

Mas existe uma grande aposta para solucionar boa parte dos problemas com defensivos, que é a tecnologia. A pulverização agrícola com drone é muito diferente do que eu imaginei há quatro anos atrás. Naquela época, na minha concepção, acreditava que os aviões seriam substituídos por essas pequenas aeronaves, mas não. A pulverização com drone é peça fundamental dos novos modelos de atuação do agro.

 

 

Na agricultura tradicional, o pragueiro detecta um problema na lavoura, a partir de uma amostragem muito baixa da plantação total e, ao identificar doenças ou infestações, é dado início ao processo de pulverização do local, seja por avião, trator ou costal. Atualmente, drones e softwares de monitoramento são capazes de fazer muito mais, identificando pragas e infestações a partir de fotos capturadas pelas aeronaves. E, com auxílio de inteligência artificial, é possível localizar com precisão o foco do problema, garantindo que o meio ambiente receba muito menos produto e o produtor rural tenha os custos com o agrotóxico reduzido.

 

 

Outra iniciativa agro que começou a fazer uso de tecnologia e merece ser mencionada é a liberação em larga escala de agentes biológicos. Desde o início da agricultura, o homem usa insetos para combater pragas, como é o caso das pequenas vespas. Hoje em dia, já conseguimos fazer com que óvulos de vespas sejam produzidos em laboratórios e liberados de forma sistematizada para aumentar a produtividade. Em parte considerável dos casos, esta estratégia tende a substituir os químicos.

 

 

O uso da tecnologia no campo é uma realidade. E com o passar do tempo, a tendência é o surgimento de novas soluções ao setor. Desde já, seus benefícios estão trazendo grandes transformações à agricultura.

 

 

 

 

Eduardo Goerl é administrador de empresas, piloto de avião e CEO da ARPAC, startup especializada em serviços agrícolas por meio de drones.