2020/21: aumento da moagem de cana deve resultar em safra mais açucareira no Centro-Sul.

Renovação de canaviais permite fôlego ao ciclo, mas clima seco pode limitar produtividade.

Centro-Sul brasileiro deve processar 585,7 milhões de toneladas de cana-de-açúcar no ciclo 2020/21, segundo estimativa divulgada nesta quinta-feira (31) pela INTL FCStone durante evento em São Paulo. O volume supera a temporada 2019/20 em 2,4 milhões de toneladas. A produtividade média corresponde a 77,0 t/ha, crescimento de 0,3%.

Segundo avaliação do grupo, 13,7% da cana disponível na região vem de áreas reformadas ou de lavouras caracterizadas como expansão, proporção que representa aumento de 2,7 pontos percentuais em relação a 2019/20.

“Essa taxa se mostra ainda maior em áreas de ‘fronteira’, como em canaviais de Goiás e Minas Gerais – corroborando indicações de que essas localidades têm apresentado crescimento mais expressivo da produtividade agrícola em relação às partes mais tradicionais”, analisou o grupo, em relatório. Por outro lado, espera-se que os impactos da dinâmica climática de 2019 pesem sobre o rendimento das lavouras do cinturão canavieiro no próximo ano.

Embora o clima mais seco nos últimos meses possa limitar aumento da produtividade, projeta-se que os canaviais consigam manter a concentração de açúcares recuperáveis em patamar elevado. A INTL FCStone calcula que o ATR médio da próxima safra se posicione em 136,3 kg/t, aumento de 0,1% em relação à atual, resultando em um ATR total de 79,8 milhões de toneladas, crescimento de 0,6%.

Em relação aos produtos da cana, projeta-se crescimento do mix açucareiro para 37,4%, 2,8 p.p. superior ao observado no ciclo anterior, totalizando produção de 28,5 milhões de toneladas de açúcar, avanço de 8,8%.

Já a destilação de etanol de cana deve recuar 3,8%, para 29,4 milhões de m³. Com base nas expectativas para o preço do petróleo, bem como no crescimento do consumo de combustíveis de ciclo Otto, estima-se que a fabricação de hidratado e anidro totalize 20,4 milhões de m³ (-4,7%) e 9,0 milhões de m³ (-1,9%), respectivamente.

Para o biocombustível obtido a partir do milho, estima-se que a fabricação de álcool totalize pouco menos de 1,8 milhão de m³, crescimento de 48,2% em relação ao esperado para 2019/20. O aumento é baseado na ampliação da capacidade produtiva, tanto por meio da inauguração de novas destilarias, em 2019 e em 2020, quanto pela expansão do potencial atual. A INTL FCStone calcula que 1,2 milhão de m³ (+41,2%) sejam direcionados ao hidratado e 615 mil m³ (+63,2%) ao anidro.

Considerando as matérias-primas citadas, a produção total do biocombustível deve se posicionar em 31,2 milhão de m³ (-1,9%), sendo 21,5 milhão de m³ de hidratado (-3,0%) e 9,6 milhão de m³ de anidro (+0,7%).

Safra 2019/20: início da temporada de chuvas é mais brando e impacta moagem e ATR

Em sua quinta revisão de safra para o ciclo 2019/20, a INTL FCStone manteve a estimativa de moagem para o Centro-Sul inalterada ante ao relatório publicado em agosto, em 583,3 milhões de toneladas – volume que representa crescimento de 1,8% no comparativo com 2018/19.

Destaca-se que o ambiente de menor umidade dos últimos meses – retração de 47,3% no regime das chuvas ocorridas entre agosto e outubro no comparativo com a mesma época de 2018/19 – não somente favoreceu a colheita e processamento, como também levou à melhora expressiva na qualidade da matéria-prima.

A concentração de açúcares nos canaviais tem seguido tendência de alta desde abril, e nas duas últimas quinzenas para as quais há dados disponíveis, os valores se posicionaram em patamar muito superior à média dos últimos ciclos. 

Com isso, a projeção de ATR médio foi elevada para 136,1 kg/t, crescimento de 0,7 kg/t em relação à estimativa anterior. A conjunção entre os dois fatores citados fará com que o ATR total no ciclo corrente fique em 79,4 milhões de toneladas (+0,4 milhão de toneladas e +0,4%, respectivamente).

A INTL FCStone reduziu a participação do açúcar no mix em aproximadamente 0,1 ponto percentual ante à projeção anterior, para 34,6%. Além de apresentar queda de 0,6 p.p. no comparativo safra-a-safra, essa proporção se consolida como a menor já registrada em toda a série histórica. A partir desse cenário, estima-se que a fabricação do adoçante no Centro-Sul totalize 26,2 milhões de toneladas, queda de 1,3% em relação a 2018/19.

Refletindo maior disponibilidade de ATR e o mix mais alcooleiro, a destilação de etanol de cana deve totalizar 30,6 milhões de m³ em 2019/20, superando a temporada anterior em 1,4%. Quando analisado frente à expectativa de agosto, esse volume é cerca de 0,2 milhão de m³ superior. Especificamente, espera-se que a produção de anidro e hidratado totalize 9,2 milhões de m³ e 21,4 milhões de m³, respectivamente.

Por fim, a INTL FCStone elevou a produção de etanol de milho no comparativo com a projeção anterior em 5,7%, para pouco menos de 1,2 milhão de m³ – volume que também representa um crescimento anual de 51,1%. Especificamente, a destilação de anidro e hidratado deve alcançar 377 mil m³ (-0,5% e +61,0%) e 819 mil m³ (+8,8% e +47,0%), respectivamente.

Saldo Global

Ásia pressiona produção de açúcar, contribuindo para déficit global mais acentuado

INTL FCStone calcula safra mundial 2019/20 com saldo negativo de 7,7 milhões de toneladas, levando à menor relação estoque/uso desde 2011/12

Após condições climáticas desfavoráveis impactarem os canaviais na Índia e na Tailândia, a INTL FCStone espera que a safra global 2019/20 apresente uma redução de 3,5% na disponibilidade de açúcar, quando comparada à 2018/19, resultando em uma oferta de 178,8 milhões de toneladas, queda de 1,5 milhão de toneladas em relação ao levantamento anterior, divulgado pelo grupo em agosto.

A oferta mais enxuta, combinada à expectativa de uma demanda ligeiramente maior – em 186,5 milhões de toneladas (alta anual de 0,8%), amplia o saldo deficitário da commodity ao redor do globo para 7,7 milhões de toneladas, de acordo com revisão divulgada nesta quinta-feira (31) pela INTL FCStone durante evento em São Paulo. A estimativa anterior estava em 5,5 milhões de toneladas.

O grupo espera que os estoques de açúcar fiquem em 71,8 milhões de toneladas ao fim do ciclo atual, levando a relação estoque/uso em 38,5% – proporção que representa o menor nível desde 2011/12.

Pelo lado da oferta, a Índia se posiciona como um dos principais destaques do mercado de açúcar, com registros de chuvas excessivas em importantes estados produtores. Maharashtra parece ter sido a principal região impactada, já que o volume ocorrido durante as monções alcançou 1.199,4 mm, crescimento de 19,1% frente à média histórica. A produção indiana foi revisada para 26,9 milhões de toneladas, retração de 18,3% no comparativo safra-a-safra.

Para Tailândia, as expectativas de que as condições climáticas se mostrariam desfavoráveis ao desenvolvimento dos canaviais foram confirmadas. Ainda que as precipitações tenham se mostrado acima da média em agosto, os volumes ocorridos foram divergentes dentro de cada região, especialmente na parte Central do país asiático. Com base na redução na área destinada à cana, a estimativa de produção de açúcar do país se manteve em 13,2 milhões de toneladas, volume 11,2% inferior em relação ao ciclo 2018/19.

Na Europa, a produção de beterraba deve seguir direções distintas nos principais players. Também pautada por clima desfavorável à cultura, a produção da União Europeia deve ser mais enxuta do que o esperado anteriormente, agora em 16,5 milhões de toneladas, queda anual de 3,5%.

Destaca-se que na divulgação mais recente do acompanhamento agroclimático na região, a Comissão Europeia revisou para baixo a estimativa de produtividade para o bloco, para 71,3 t/ha. Ainda que acima de 2018/19, esse valor é 1,2% inferior ao número projetado em setembro e se posiciona 5,1% abaixo do rendimento médio dos últimos 5 anos.

Já em relação às Américas, o México é um dos principais destaques da revisão do grupo, com redução expressiva da produtividade agrícola, estimada em 6 milhões de toneladas (valor bruto) de açúcar, queda de 6,6% no comparativo anual.

No Centro-Sul brasileiro, espera-se que usinas ampliem o mix açucareiro em 2,8 pontos percentuais frente a 2019, para 37,4%, resultando em uma produção de 27,5 milhões de toneladas (tel quel³) de açúcar na colheita de 2020, volume 5,8% acima do observado na ano anterior.

5ª revisão para o saldo global de açúcar da safra 2018/19

Com base no andamento da safra sucroalcooleira do Centro-Sul do Brasil ao longo da colheita de 2019, bem como por conta da atualização de números oficiais nos demais polos produtores do mundo, a INTL FCStone projeta que a produção total de açúcar no mundo tenha ficado em 185,3 milhões de toneladas. Embora 3,0% inferior ao ciclo 2017/18, esse valor supera em aproximadamente 0,4% o número apresentado na última publicação.

Com a demanda se posicionando em 185,1 milhões de toneladas, destaca-se que o saldo passou de um déficit de 0,6 milhão de toneladas para ligeiro superávit, de 0,2 milhão de toneladas. Com isso, os estoques ao fim de setembro/19 se elevaram para 79,5 milhões de toneladas, fazendo com que a relação estoque/uso no último ciclo tenha se posicionado em 43,0%.